‘A partir de hoje, eu sou o cliente’, diz Comandante da FAB sobre a Embraer

A mudança de postura da Força Aérea Brasileira (FAB) com a Embraer veio para ficar e as negociações acerca do KC-390 estão se concluindo.

Foto da Sgt Bianca – FAB

A Embraer nasceu dentro da FAB, cresceu e se tornou uma das principais empresas brasileiras no exterior, tendo acionistas privados como os grandes participantes e o governo controlando apenas uma pequena parte. E este possível conflito de interesses (rentabilidade x interesse nacional) chegou ao ápice com o cancelamento pela FAB de 14 aviões KC-390.

A bem da verdade, os apenas 35 pedidos firmes, incluindo de Portugal e Hungria, já não agradavam aos investidores, que não constatavam o break-even do projeto chegar (o ponto onde a receita supera os custos e é gerado o lucro).

O Comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, em entrevista à Folha de São Paulo, comentou a questão e o relacionamento com a Embraer.

Divulgação – FAB

“Nesses 50 anos, fizemos opções. Não temos a opção de fazer a Embraer em vez de fazer a Força Aérea. Temos de fazer a Força Aérea, trazendo o spin-off de toda a indústria. Muitas vezes, a opção priorizou a Embraer, para desenvolvimento da indústria”, Baptista Junior.

Ele destaca que o ideal era que a FAB tivesse mais de 28 aviões KC-390, mas isto é totalmente fora da realidade, que se faz mais necessário ter os 36 caças Gripen do que o número mínimo de cargueiros.

“Temos de olhar nossa defesa como círculos concêntricos, no centro tem de ter 36 caças Gripen armados, não avião para o 7 de Setembro, depois helicópteros, transporte. O que estamos fazendo é que não dá para ter isso no contrato com nossa realidade orçamentária. Imagina comprar um carro 2021 para receber em 2040”, afirmou o Comandante.

O próprio KC-390 e o A330 (recém-anunciado) são alvos de restrições: o projeto brasileiro atrasou cerca de quatro anos por conta de questões relacionadas ao repasse de verbas, e o A330 (ou similar) era para ter entrado em serviço quando o Boeing KC-137 (707) foi aposentado em 2013, mas o projeto sempre foi empurrado para frente.

Esse mesmo “empurrado para frente” aconteceu com o projeto dos caças, que começou em 1995 e foi decidido de vez em 2013, com o primeiro modelo do Gripen chegando ao Brasil em 2020.

A ideia do Brigadeiro é quebrar esse ciclo vicioso, que também atinge o Exército e a Marinha, para isso a Embraer seria mais uma fornecedora do que parceira, focando mais na entrega de produtos do que um custoso desenvolvimento.

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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