
A Widerøe, tradicional companhia aérea norueguesa conhecida por sua robusta malha de rotas públicas (PSO) dentro da Noruega, prepara uma transformação significativa em sua frota e estratégia.
Em entrevista concedida ao jornalista de aviação Dominik Sipinski durante o encontro da European Regions Airlines Association (ERAA), o CEO Tore Jenssen revelou que o processo de substituição dos dezoito Dash 8-Q400 por jatos E2, da Embraer, deve começar já no próximo ano. O objetivo é apoiar a expansão internacional da empresa, conceito cada vez mais central em seus planos futuros.
Segundo Jenssen, embora o PSO tenha sido fundamental para a história da Widerøe, o foco estratégico agora está no fortalecimento da rede comercial e em tornar a companhia menos dependente do mercado norueguês: “Sempre gostei muito mais da rede comercial do que dos voos PSO. Gosto do PSO, mas não está sob o nosso controle. Já a rede comercial, podemos trabalhar para torná-la mais rentável”, explicou.
O executivo destacou que os Dash 8-Q400 mostram limitações em rotas de médio e longo alcance, o que motivou o olhar para aeronaves mais adequadas à ambição internacional.
“O Q400 não é o ideal para setores mais longos. Hoje temos três E2, mas penso que precisaríamos de pelo menos 15 a 20 deles para conseguir escala com esse tipo de jato. Não significa que vamos adquirir todos de uma vez, mas esse é o objetivo ao longo do tempo”, detalhou Jenssen. Inicialmente, a companhia planeja incorporar “um punhado” de novos jatos regionais.
A Widerøe foi operadora lançadora do E190-E2 e, atualmente, os três exemplares da frota já ultrapassam oito anos de serviço. Jenssen ressalta que a permanência ou renovação desses aviões dependerá das avaliações técnicas e de manutenção a serem feitas. Para o futuro, a tendência é priorizar o E195-E2, de maior porte.
Apesar da experiência positiva com os jatos da Embraer, a companhia ainda avalia a família Airbus A220 como alternativa para a renovação da frota e possível alinhamento aos planos de expansão internacional.
Enquanto o foco se volta para o fortalecimento das operações comerciais e a busca por novos mercados fora da Noruega, os veteranos Dash 8-100 e -200 devem continuar operando nos tradicionais voos domésticos por muitos anos.