Aviões Airbus A350 que farão voos de 20 horas serão diferentes de tudo o que já se viu

A companhia aérea australiana Qantas comprou 12 Airbus A350-1000 para operar as rotas mais longas do mundo num futuro não tão distante. As aeronaves de ultra longo alcance serão capazes voar por 19 a 20 horas ligando a Austrália a praticamente qualquer lugar do mundo.

No entanto, tanto tempo de voo pode ser prejudicial à saúde dos passageiros e, portanto, a empresa aérea teve que se preparar para criar áreas especiais a bordo, que permitam que os viajantes se exercitem e, assim, previnam doenças que poderiam ser muito graves, como o caso da trombose venosa profunda.

O presidente-executivo da Qantas, Alan Joyce, disse que a companhia aérea está procurando maneiras de tornar as longas novas rotas agradáveis ​​para os passageiros, incluindo uma “zona de bem-estar” no centro dos aviões. Além disso, novos assentos e suítes serão instaladas para que os viajantes das classes premium sintam o mínimo possível tanto tempo de viagem.

A aeronave terá, de fato, assentos diferenciados, como mostram as imagens compartilhadas pela própria empresa junto do anúncio das novas aeronaves. No total, os aviões A350-1000 terão capacidade para 238 passageiros, sendo 140 desses assentos na classe econômica.

Estudos para evitar doenças

A companhia aérea realizou voos de teste de 2019 para avaliar os efeitos das viagens de longa distância no corpo humano. Cinquenta passageiros e tripulantes foram equipados com dispositivos de tecnologia para testar seu bem-estar durante o voo e receberam espaço para exercícios.

Com base nos resultados do estudo, a empresa adotou novas práticas, exclusivas para os voos ultra longos. Dado que ninguém nunca operou esse tipo de voo antes, essa será uma experiência de aprendizado para a Qantas e para os tripulantes.

A necessidade de preparo é importantíssima. Segundo uma publicação do Hospital do Coração de São paulo, “a má circulação dos membros inferiores quando associada a fatores genéticos, obesidade, diabetes, sedentarismo, hipertensão e tabagismo pode causar a trombose venosa profunda. Não à toa, a doença, neste caso, pode também ser chamada de “trombose dos viajantes”.

“A trombose venosa profunda, ou trombose do viajante, é a formação de coágulos no sangue. A doença pode ocorrer durante uma viagem de avião de longa duração porque o passageiro fica sentado por muito tempo durante o voo, o que represa a circulação sanguínea nos membros inferiores”, esclarece o Dr. Gilberto Narchi, cirurgião vascular do HCor.

Movimentar-se durante o voo é a medida mais eficaz para evitar o problema e essa é justamente a finalidade da área de bem-estar, que será colocada a bordo do A350 da Qantas, como ilustram imagens desta publicação.

A nova frota de A350-1000 deve chegar à Austrália em 2025.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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