Airbus ofereceu suborno para empresa aérea não comprar aviões da Boeing

As autoridades do Sri Lanka ordenaram a prisão do ex-CEO da companhia aérea nacional SriLankan Airlines, e de sua esposa, depois que eles foram citados em um escândalo de suborno de US$ 2 milhões envolvendo a compra de aviões Airbus. A fabricante teria, inclusive, oferecido dinheiro para que a companhia estatal não comprasse aviões da Boeing.

Foto de Gyrostat via Wikimedia Commons

Segundo o TTG Asia, a procuradora-geral Dappula de Livera ordenou na segunda-feira a prisão do ex-CEO Kapila Chandrasena e de sua esposa Priyanka Niyomali Wijenayake por aceitarem subornos para compra de aeronaves da fabricante Airbus. Apesar da ordem de prisão, não se sabe se o casal está no Sri Lanka ou no exterior.

O suposto suborno ocorreu durante o período de novembro a dezembro de 2013 e o dinheiro foi destinado a uma empresa de fachada registrada em Brunei, que pertencia a Wijenayake, que havia agido como intermediária nessas transações. Seu marido foi CEO da SriLankan Airlines de agosto de 2011 a janeiro de 2015.

Suborno

Funcionários da Airbus teriam oferecido até US$ 16,84 milhões a Wijenayake para influenciar a empresa a comprar 10 aeronaves Airbus e arrendar mais quatro.

O golpe foi revelado em uma Alta Corte do Reino Unido na semana passada, quando a Airbus foi multada em US$ 4 bilhões por recorrer a subornos para garantir vários contratos em 20 países. No caso da Srilankan, envolveu a promessa do ex-CEO de comprar seis A330-300, quatro A350-900 e alugar outros quatro aviões.

Ferindo o livre mercado

A Airbus também concordou em pagar US$ 5 milhões em subornos à Wijenayake se a empresa aérea não comprasse nenhuma aeronave do concorrente na época (leia-se, a Boeing), de acordo com um relatório divulgado pelo Escritório de Fraudes Graves do Reino Unido.

Funcionários da Airbus enganaram autoridades do Reino Unido com o nome e o gênero de Wijenayake, a fim de ocultar sua identidade, depois que US$ 2 milhões dos US$ 16,84 milhões foram pagos à sua empresa, acrescentou o relatório.

O relatório seguiu uma investigação de quatro anos sobre a Airbus, com alegações de consultores externos usados pela empresa e que pagaram subornos no Sri Lanka, Malásia, Indonésia, Taiwan e Gana entre 2011 e 2015.

Quando a notícia foi ao ar no domingo, o presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, ordenou uma investigação minuciosa e uma ação firme contra as partes responsáveis. A transportadora nacional disse no domingo que cooperaria plenamente em qualquer investigação do governo sobre o assunto.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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