Além da Voepass, veja quais companhias aéreas fecharam as portas em 2025

Avião ATR 72 da Voepass

O ano de 2025 terminou com uma profunda reconfiguração do mercado aéreo global, marcada pelo encerramento de companhias emblemáticas e pela consolidação de grupos de maior porte.

De gigantes do segmento ACMI (Aeronave, Tripulação, Manutenção e Seguros) a operadores regionais com décadas de atuação, a indústria enfrentou um ambiente de custos operacionais crescentes e pressões financeiras que se mostraram insustentáveis para mais de três dezenas de empresas, como aponta a lista elaborada pelo portal Aviacionline, parceiro do AEROIN.

O desaparecimento de marcas consolidadas em mercados estratégicos definiu o ritmo do ano. Em Singapura, a Jetstar Asia deixou de operar em 31 de julho, após duas décadas de atividades. O Qantas Group, seu principal acionista, decidiu encerrar a base no país para priorizar suas unidades na Austrália e no Japão, realocando sua frota de 13 aeronaves Airbus A320.

Movimento semelhante ocorreu no Oriente Médio com a Wizz Air Abu Dhabi. A subsidiária emiradense da companhia húngara encerrou sua base no Aeroporto Internacional Zayed em 1º de setembro. A decisão foi motivada por um ambiente operacional complexo e pela necessidade de concentrar recursos no mercado europeu.

No Atlântico Norte, a Play não conseguiu replicar o modelo de sua antecessora, a WOW Air, e anunciou o encerramento de seus voos em 29 de setembro. Apesar de tentar uma mudança estratégica em direção a serviços de fretamento e voos de lazer na Europa, a companhia islandesa esgotou suas reservas de capital antes de concluir a transição para uma operação ACMI e de voos charter baseada em Malta.

O fim dos voos regionais no Reino Unido

O setor regional britânico sofreu dois impactos críticos durante o último trimestre do ano. A Eastern Airways suspendeu todas as suas operações em 27 de outubro, após entrar em um processo de administração judicial. A empresa, que operava uma rede considerada vital no norte do Reino Unido e rotas de serviço público, não conseguiu atrair um investidor após o cancelamento de contratos-chave com companhias aéreas de maior porte.

Poucas semanas depois, em 14 de novembro, a Blue Islands interrompeu seus voos nas ilhas do Canal. A companhia, que conectava Jersey e Guernsey ao continente, enfrentava dívidas milionárias com o governo local e as autoridades portuárias.

Impacto na América Latina e no Caribe

Na região, o caso de maior repercussão foi o da Voepass, no Brasil. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) revogou de forma permanente o Certificado de Operador Aéreo (COA) da companhia em 24 de junho. A medida foi adotada após uma série de falhas sistêmicas nos processos de manutenção e supervisão técnica, agravadas após o acidente ocorrido em meados de 2024. Sua subsidiária, a MAP Linhas Aéreas, também ficou inativa como parte do colapso do grupo.

O setor de carga também registrou baixas relevantes. A Vensecar Internacional, com sede na Venezuela, e a DHL Equador (Trans Am) encerraram suas atividades em junho e julho, respectivamente. Ambos os operadores, vinculados à rede da DHL, foram substituídos por outras unidades do grupo, com o objetivo de otimizar a logística regional no Caribe e na região andina.

Na América do Norte, o processo de consolidação absorveu marcas como a Sunwing Airlines, cuja integração à WestJet foi concluída de forma definitiva. Já a Silver Airways encerrou suas operações na Flórida e no Caribe em 11 de junho, após um processo de recuperação judicial sob o Capítulo 11 não conseguir assegurar o capital necessário para a continuidade das operações.

Reestruturação do mercado de leasing

O encerramento da SmartLynx Airlines em 24 de novembro representou a queda do maior especialista em serviços ACMI da Europa. Com uma trajetória de 33 anos, a companhia letã sucumbiu a uma dívida superior a 230 milhões de euros e à retirada em massa de aeronaves por parte de seus arrendadores.

Outras empresas que integram a lista de operadoras que deixaram de existir em 2025 incluem:

– Air Albania: suspendeu seus voos em dezembro devido a dívidas acumuladas e à saída da Turkish Airlines de seu quadro acionário.
– Ravn Alaska: interrompeu seus serviços regionais pela segunda vez em cinco anos.
– Lumiwings: a operadora grega encerrou suas atividades após o fim de contratos estatais na Itália.
– Bees Airlines (Romênia): teve seu certificado revogado no início do ano.

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Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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