ANAC busca fomentar a disponibilidade de simuladores de voo no Brasil

Imagem ilustrativa: Porter Airlines

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) lançou uma tomada de subsídios para coletar informações, sugestões e percepções dos mais variados atores relacionados ao uso de Simuladores de Voo (do inglês  Flight Simulator Training Device – FSTD) no Brasil.

O objetivo é encontrar alternativas e soluções para a expansão do parque de simuladores de voo (FSTD) no país, com vistas a facilitar o treinamento de pilotos da aviação executiva e fomentar o desenvolvimento do Brasil como hub de treinamento.  

Segundo a ANAC, o foco desta consulta é coletar opiniões, dados, sugestões e percepções quanto ao problema e possíveis encaminhamentos, com o seguinte foco: O que pode ser feito para se criar e manter um parque de treinamento com simuladores (FSTD) para as aeronaves mais representativas da frota brasileira? 

A participação se dará por meio do formulário eletrônico, acesse Tomada de Subsídio Simuladores de Voo  

Entendendo os requisitos 

Para fins de habilitação de pilotos, as aeronaves são classificadas, basicamente, em duas categorias: “Tipo” e “Classe”. Aeronaves Tipo são aquelas que têm uma maior complexidade de operação e, consequentemente, exigem um treinamento mais exigente para seus pilotos. Alguns exemplos de aeronaves Tipo são Citation, Learjet e Phenom, sendo estas as mais utilizadas no Brasil.  

Os requisitos técnicos para um piloto obter e renovar sua habilitação de aeronave Tipo (type rating) exigem que ele realize treinamento específico em Centro de Treinamento de Aviação Civil (CTAC) com o uso de simuladores de voo. Esses dispositivos são de extrema importância para a eficiência do treinamento, sendo possível a repetição de manobras e simulação de situações anormais e de emergência, além de não gerarem impactos ambientais ou custos tão altos quando comparados a um treinamento em aeronave. 

Tais requisitos técnicos são provenientes de padrões internacionais prescritos pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) e são alinhados ao que é praticado em todo o mundo no que se refere ao treinamento de pilotos. O objetivo é a manutenção das competências técnicas desses profissionais, para a garantia da segurança operacional da aviação. 

Caracterização do problema  

Para a aviação executiva, com exceção de alguns modelos de aeronaves (como Phenom e Bandeirante, da fabricante brasileira Embraer), não existem centros de treinamento disponíveis no Brasil.  

Assim, modelos de aeronaves muito utilizados no país (como C525, LR45, BE40 e similares) não contam com simuladores aqui, o que faz com que diversos pilotos tenham que viajar para o exterior de maneira recorrente para renovação de suas habilitações.  

Isso envolve desafios para esses pilotos e operadores aéreos como: altos custos em moeda estrangeira, trâmites burocráticos para obtenção de vistos, dificuldade na obtenção de vagas de treinamento em outros países, dificuldades logísticas, entre outros empecilhos.  Essa situação também acontece em diversos outros países, que acabam por enviar seus pilotos majoritariamente para os Estados Unidos e a Europa, para a renovação de seus type ratings.  

Quais as soluções?

O Brasil conta com uma ampla e diversificada frota de aeronaves executivas. São mais de 800 aeronaves, incluindo jatos Embraer, Gulfstream, Hawker e Bombardier. O país conta, ainda, com quase 2000 pilotos que atuam nessas aeronaves.   

Apesar da demanda existente e da representatividade da frota brasileira de aeronaves Tipo, não há um parque abrangente de treinamento (CTACs/simuladores) no país. Vários fatores estão envolvidos nessa questão como: custos de aquisição e manutenção dos equipamentos, desafios logísticos, alíquotas tributárias, comportamento do mercado, contexto econômico do país, entre outros.  

Informações da ANAC

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Ativo no Plane Spotting e aficionado pelo mundo aeronáutico, com ênfase em aviação militar, atualmente trabalha no ramo de fotografia profissional.

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