Apesar da nova pedra no caminho, Embraer ainda confia no modelo E175-E2

Divulgação – Embraer

A fabricante brasileira de aeronaves Embraer enfrenta um dilema com seu jato regional E175-E2, de nova geração. Depois de voar pela primeira vez em dezembro de 2019, ainda como parte do seu programa de testes, muito pouco mudou em termos comerciais, permanecendo sem nenhuma encomenda.

A falta de uma sinalização clara sobre a possibilidade de mudanças da regulamentação da aviação regional americana, principal mercado potencial do modelo, já havia feito a Embraer pausar o programa em alguns anos, prevendo sua entrada em serviço para 2027 ou 2028, mas, agora, essa incerteza aumenta ainda mais. No entanto, a fabricante sinaliza que tem o caso sob controle.

Por que o E175-E2 não vendeu nos EUA

Quando o E175-E2 foi concebido, era sabido que ele extrapolava uma regra estabelecida na aviação regional americana, chamada de “cláusula de escopo”, que determina que as aeronaves das empresas que prestam serviços regionais para as grandes companhias aéreas não podem oferecer mais do que 76 assentos e nem ter um peso máximo de decolagem (MTOW) superior a 39 toneladas. Embora o jato brasileiro atenda ao primeiro requisito, ele extrapola o segundo, já que seu MTOW é de 44,9 toneladas.

Ainda assim, a Embraer seguiu adiante com o projeto, argumentando que oferece uma economia extra de combustível e um ganho no conforto para os passageiros, vindo a atrair olhares das empresas aéreas. Apenas isso, pois com a regra vigente, nenhuma empresa poderia comprá-lo.

A fabricante ainda acredita que a regulamentação poderia mudar, mas isso ainda parece estar longe, pois, como citou o portal de investimentos Leeham News, as novas negociações por acordos de trabalho entre os sindicatos e as empresas aéreas americanas, num contexto desafiador de falta de funcionários para agora e o futuro, não frutificaram como a Embraer esperava.

Em resumo, o que está sendo desenhado agora, e que se aplicará para o futuro de longo prazo, não prevê nenhuma mudança na famigerada “cláusula de escopo”. Isso significa que o nível de incerteza fica potencializado e poderia levar até a uma nova reação da Embraer.

E1 muito vendido e E2 no zero

A Embraer nem mesmo lista o menor membro da família E2, o E175-E2, em sua visão geral de pedidos. Embora o antecessor E175, com 840 pedidos e 697 entregas, seja um sucesso, o irmão mais novo, mais potente e econômico, amarga da incerteza sobre se um dia será vendido. Nesse caso, tudo é uma questão de “escopo”.

Mas a empresa, porém, se mostra confiante. Em uma declaração ao site alemão aeroTELEGRAPH, um representa da empresa disse que “embora seja difícil prever quando a cláusula de escopo mudará, não era de se esperar que isso acontecesse nesta rodada de negociações”. E continua: “Isso e a necessidade de reduzir as emissões de CO2 e os custos de combustível, tornam o E175-E2 mais atraente e talvez criem espaço para mudanças nas próximas rodadas de negociações”.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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O evento que é marcado pela retomada do setor, é organizado pela Associação Brasileira de Aviação Geral e conta com diversos expositores.