Apesar do mercado fechado ao E175-E2 nos EUA, Embraer voa sozinha com o E175 no país

Imagem: Embraer

Se por um lado o mercado de aviação regional dos Estados Unidos segue fechado à mais moderna versão E2 do avião E175, por outro, a fabricante brasileira Embraer não vê concorrentes no segmento de atuação do E175 da geração E1 e o jato “voa sozinho” pelo país.

A cláusula de escopo (Scope Clause), parte do contrato de trabalho atual entre pilotos e grandes companhias aéreas nos EUA, restringe qualquer aeronave operada por suas transportadoras aéreas regionais parceiras a um limite de 76 passageiros e 86.000 lb (39.000 kg) de peso máximo de decolagem.

Com isso, o E175-E2, mais pesado que esse limite, não pode ser adquirido pelas regionais norte-americanas para modernização das frotas, sendo este um dos motivos – ou o principal – pela decisão da Embraer de uma pausa de três anos em seu programa de desenvolvimento, anunciada em fevereiro deste ano.

Mas se o E2 não pode ser uma opção para substituição do E175-E1, também não existe nenhum outro modelo em produção capaz de se adequar à operação do equipamento brasileiro e à restrição de contrato de trabalho dos Estados Unidos. E o resultado é que o bem-sucedido avião continuará em plena produção pela Embraer pelos próximos anos, já que novas encomendas não param de chegar.

“As cláusulas de escopo das linhas principais dos EUA não devem mudar nos próximos três anos, e a Embraer continuará monitorando a próxima rodada de negociações de cláusulas de escopo quando tais restrições puderem ser revisadas”, disse Daniel Galhardo, diretor de marketing estratégico da Embraer Commercial Aircraft, durante comentários sobre os resultados trimestrais da empresa.

A nova entrada em serviço prevista para o E175-E2 ficou para 2027-28, e até lá, “o jato E175 da atual geração continuará sendo a melhor solução disponível para este segmento de mercado” completou Galhardo.

Em torno de 650 exemplares do E175 operam na frota global atualmente, sendo que 601 deles, ou cerca de 90%, estão no mercado dos EUA, segundo a Embraer. E a carteira de pedidos firmes para o modelo é de 143 unidades. “Isso indica significativamente mais vida no programa E175-E1”, disse o diretor.

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

Veja outras histórias

Pedaços de metal são deixados na pista de Congonhas por Boeing...

0
Um problema de motor nessa manhã de sábado deixou a pista principal do Aeroporto de Congonhas fora de operação por mais de uma hora e meia.