Após Emirates abandonar país africano, político afirma: “Ela é muito cara e não fará falta’

A saída conturbada da Emirates de um país africano levou ao desdém de um antigo político, que afirmou que a empresa árabe não fará falta.

Foto por Clément Alloing

A polêmica gira em torno não apenas da companhia árabe, mas de outras estrangeiras que operam e operavam na Nigéria, e que estão sendo impedidas de repatriar o dinheiro das vendas de passagens feitas no país, por meio direto ou através de parceiros e lojas físicas.

Essa situação é similar ao que aconteceu na Venezuela anos atrás, em que o governo bolivariano colocava imensa dificuldade para repatriação do dinheiro, levanto à saída da então TAM e a GOL do país, as únicas empresas que ligavam o Brasil ao vizinho do norte sem escalas.

Enquanto a situação hoje na Venezuela está estável, embora ainda haja dificuldade de repatriação dos montantes, na Nigéria o quadro é de deterioração, vindo a fazer com que Emirates saísse do país, apontando o dedo para o governo como culpado, como mostrado numa matéria anterior.

Mas para o ex-senador e conhecido político Shehu Sani, a empresa não fará falta. “A Emirates pode ir se quiser, a sua passagem é muito cara, prefiram a nossa Air Peace ou qualquer empresa local que voe internacionalmente”, afirmou em tom nacionalista.

No entanto, Sani desconhece (ou ignora) a situação atual das companhias aéreas nigerianas, que sofrem com uma alta de quase 300% no preço do combustível de aviação desde o começo do ano. As empresas, incluindo a Air Peace, já ameaçaram suspender as operações por completo, deixando o país desconectado do mundo, dada a inviabilidade econômica das operações.

Para contornar, a empresa nigeriana já havia deixado claro que subir os seus preços também seria uma situação necessária.

Por outro lado, quando questionado por um usuário do Twitter de que suas atitudes só são danosas e afastam investidores estrangeiros, o ex-senador respondeu como se a aviação fosse um setor separado e não que quase todo no mundo dependesse do transporte aéreo em algum nível: “Nós precisamos de investimento estrangeiro em agricultura, mineração, têxtil e indústrias”.

Enquanto o governo da Nigéria não muda sua política de retenção de divisas (tomada em boa parte para tentar segurar a alta do dólar no país) e antigos políticos mantém ideias controversas, o país vai se isolando da malha aérea mundial.

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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