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Após mais de 30 anos, França se despede do caça Mirage 2000C

Um dos caças mais emblemáticos da era moderna, o Dassault Mirage 2000C, está se despedindo da Força Aérea da França.

A história do caça, que tem um inconfundível design em delta, começou em 1989 quando a França começou a receber os novos aviões, sucessores diretos do Mirage III, bastante populares no exterior. Mais potente, com o novo motor SNECMA M53 de 21 mil libras com o pós-combustor ligado, nova asa em delta e um desenho único, os caças faziam frente ao americano F-16 e o russo MiG-29.

Apesar do esforço da França, o caça não repetiu o sucesso do Mirage III, e sua venda ficou limitada à 9 países operadores, sendo um deles o Brasil.

Na Força Aérea Brasileira foram apenas 12 caças, sendo 10 da versão 2000C e 2 da versão 2000B, com dois assentos, esse último voltado para treinamento. Porém, a vida em terras brasileiras foi curta, já que eles serviram apenas como um tampão até a decisão do programa FX-2, que durou praticamente duas décadas, até a escolha do SAAB Gripen NG ser concretizada. No total, o Mirage 2000 ficou apenas 7 anos voando na FAB.

A dúzia de caças que veio para o Brasil era usada e veio do Esquadrão de Caça 2/5 Île-de-France, que também foi o último grupo a operar o modelo na Armée de l’Air et de l’Espace, a Força Aérea Francesa.

Na última quinta-feira, dia 23, o esquadrão fez o seu último voo com o caça, que dará espaço para o Rafale, sucessor diretor do Mirage 2000. Para marcar a despedida, os últimos caças 2000C receberam pintura especial, sendo um na cor azul e outro na preta. Apesar da saída do 2000C, a Armée de l’Air continuará a voar em torno de 98 unidades do caça Mirage 2000, mas nas versões 2000-5F que é a versão C modernizada com cabine digitalizada, e a versão 2000D, de dois assentos e também modernizada.

Outros países ainda operam o Mirage 2000: Catar, Índia, Emirados Árabes Unidos, República da China (Taiwan), Grécia, Egito e Peru.

Uma curiosidade é que o Mirage 2000C foi o principal ator de um filme. O longa “Os Cavaleiros do Ar” (“Les Chevaliers du ciel”), lançado em 2005 para promover o caça assim como fazer uma versão francesa de “Top Gun”.

O retorno foi distante do filme de Tom Cruise, mas as cenas aéreas marcaram o cinema, mostrando uma proximidade nunca vista e inclusive, para alguns, melhores do que qualquer as de “Top Gun”, vale a pena conferir:

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A
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