Até a tradicional Qantas já quase teve um Boeing 747 com configuração 100% econômica

Avião Boeing 747 Qantas
Foto: Qantas

A companhia aérea australiana Qantas já não opera mais Boeing 747 desde julho de 2020. O que pouca gente sabe é de uma estratégia que poderia ter mudado a história do icônico jumbo, que por quase 50 anos compôs a frota da companhia. Por ela, a empresa previa ter mais de 400 assentos em uma única classe econômica.

De acordo com um levantamento do site britânico Simple Flying, na década de 1970, a transportadora estudou reorganizar seus serviços para encaixar as operações do supersônico Concorde, que estavam nos planos da empresa (embora nunca recebidos e operados). Os voos supersônicos seriam sua oferta mais luxuosa, com todos os assentos de primeira-classe e atendimento de luxo, um contraste com o “desconforto” oferecido pelos concorrentes europeus.

Já as viagens subsônicas atenderiam aqueles passageiros com orçamento mais restrito. Assim, os grandes jumbos ofereceriam exclusivamente a classe econômica, com foco no transporte de grande quantidade de viajantes em uma única viagem, numa espécie de complemento ao Concorde. A operação poderia compensar os altos custos da operação supersônica.

Plano cancelado

A ideia não foi adiante porque a Qantas nunca chegou a colocar o Concorde em operação. A companhia desfez um pedido de compra já em 1973, ciente da complexidade da operação com o modelo.

Dessa forma, o Boeing 747 permaneceu por décadas como carro-chefe da empresa australiana para voos de longa distância e contou com os melhores produtos a bordo, tendo inclusive a Qantas lançado tendências em termos de luxo a bordo de voos intercontinentais.

Ao longo dos anos, a Qantas operou todas as variações do jumbo com serviços adaptados a todos os gostos dos clientes. Apesar da ideia não ter ido adiante, o plano mostra como as viagens supersônicas poderiam ter mudado a história dos outros modelos se tivessem se consolidado nos aeroportos do mundo.

Considerando que, em breve, novos aviões supersônicos podem chegar ao mercado, certamente novas estratégias para os voos tradicionais serão pensadas.

Fabio Farias
Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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