Avião comercial de passageiros decola de cidade ucraniana, enquanto o país é bombardeado

Foto de Florent Peraudeau, via Wikimedia

Uma cena incomum para o momento atual pôde ser vista esta semana por quem acompanhava as plataformas de rastreamento de voos, como FlightRadar24. Isso porque na terça-feira, 13 de setembro, um Airbus A320 da empresa húngara Wizz Air decolou de Lviv, no noroeste da Ucrânia, um país em guerra e cujo espaço aéreo está oficialmente fechado para voos civis há mais de seis meses.

O voo foi curto e baixo. Os 356 quilômetros entre Lviv e Katowice (Polônia) foram completados pelo A320 de matrícula HA-LWS em menos de uma hora e voando a uma altitude de 10.000 pés (cerca de 3.300 metros), muito mais baixo do que um voo normal faria.

O motivo do voo

O motivo do voo, no entanto, foi importante para a empresa aérea, que finalmente conseguiu resgatar uma das quatro aeronaves Airbus A320 que ficaram retidas na Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro.

Com o feito, o risco foi diminuído, mas ainda há três outras aeronaves do mesmo modelo presas no país em conflito, cada uma valendo cerca de US$ 100 milhões no valor de tabela.

A companhia aérea com sede na Hungria era a única não ucraniana a ter aeronaves baseadas no país quando o presidente Vladimir Putin ordenou que as tropas russas invadissem a Ucrânia. O presidente-executivo da Wizz Air, József Váradi, admitiu que a companhia aérea foi pega de surpresa quando os tanques cruzaram a fronteira, dizendo que ninguém na companhia aérea “realmente acreditava que poderia haver algum desenvolvimento sério”.

Embora a Wizz Air estivesse se preparando para o pior, a companhia aérea baseou seus planos em uma janela de três horas para tirar aeronaves e funcionários do país e colocá-los em segurança antes que uma invasão realmente começasse.

Sob ataque

As forças russas nunca tentaram colocar tropas em Lviv, mas a cidade está sob ataque de mísseis. Um dos maiores obstáculos enfrentados pela Wizz Air para tirar suas aeronaves da Ucrânia foi o fato de o espaço aéreo do país estar fechado para todo o tráfego aéreo civil desde o início do conflito.

Uma aeronave ficou presa em Lviv (HA-LWS), que já foi resgatada, enquanto outras três permanecem no solo em Kiev (HA-LWY, HA-LPJ, HA-LPM).

Em março, a Federação Europeia de Trabalhadores em Transportes (ETF) criticou a Wizz Air, alegando que “os funcionários da Wizz na Ucrânia foram abandonados” pela companhia aérea. A companhia aérea diz que contratou empreiteiros militares privados para ajudar a libertar seus trabalhadores da Ucrânia.

Em agosto, a Wizz Air Abu Dhabi anunciou que pretendia reiniciar os voos para a Rússia, mas rapidamente abandonou a ideia quando sua controladora recebeu críticas ferozes sobre os planos.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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