Azul tem lucro operacional recorde no 1º trimestre de 2024, mas resultado líquido negativo de R$ 324 milhões

Embraer 195-E2 da Azul

A Azul divulgou hoje, 13 de maio, seus resultados do primeiro trimestre de 2024 (1T24), que mostram um lucro operacional recorde, de R$ 800,7 milhões, que representa um forte crescimento de 73,2% sobre o primeiro trimestre de 2023 (1T23). O resultado líquido ajustado, porém, foi negativo, em -R$324,2 milhões, após contabilizado o resultado financeiro:

Mensagem da Administração
John Rodgerson, CEO da Azul

“Em primeiro lugar, gostaria de expressar minha solidariedade ao povo do Rio Grande do Sul neste momento tão difícil. Estamos profundamente tristes com a perda de vidas, o desalojamento de pessoas e a destruição generalizada causada pelas graves inundações nessa região.

Até o momento, nós já coletamos mais de 1.000 toneladas de itens e estamos trabalhando para distribuí-los. Milhares de tripulantes de todo o país se dedicaram, doando tempo, dinheiro e suprimentos para os esforços de ajuda humanitária, ao mesmo tempo em que continuam a oferecer a experiência Azul com excelência todos os dias. Sempre afirmei que temos os melhores tripulantes do mundo, e eles estão mais uma vez provando isso. Não tenho como agradecê-los por sua paixão e dedicação.

Em relação aos resultados do 1T24, tenho o prazer de informar que tivemos outro trimestre recorde. Nossa receita operacional aumentou 4,5%, para R$ 4,7 bilhões, impulsionada por um ambiente de demanda doméstica e internacional saudável, receitas auxiliares robustas e crescimento em nossas unidades de negócios.

O RASK e o PRASK atingiram níveis recordes para um primeiro trimestre de R$42,23 centavos e R$39,33 centavos, respectivamente, demonstrando a força de nosso modelo de negócios.

A capacidade no trimestre cresceu 2,6%, apoiada por um crescimento de 6% no mercado doméstico e compensada por uma redução temporária em nossa malha internacional devido a uma transição em nossa frota de widebody. Estamos especialmente encorajados pelo progresso que estamos fazendo na utilização de aeronaves, atingindo 11,5 horas, um aumento de 17% em relação ao 1T23, e com espaço para mais melhorias.

Nossas unidades de negócios continuaram suas trajetórias de crescimento. Nosso programa Azul Fidelidade está agora com 17 milhões de membros, com usuários ativos também nas máximas históricas. O faturamento bruto do programa aumentou 31% em relação ao 1T23, com um aumento de 32% no valor de nossos pontos.

Nossa operadora de turismo Azul Viagens aumentou as reservas brutas em 75% em relação ao ano anterior, graças à forte demanda nos mercados de lazer apoiada por nossa malha de férias dedicada. Por fim, nosso negócio de cargas permaneceu forte, na direção oposta às tendências globais, e, junto com outras receitas, aumentou 4,2% versus o ano anterior.

O EBITDA atingiu R$ 1,4 bilhão, um recorde para um primeiro trimestre e um aumento de 37,4% em relação ao 1T23. Nossa margem EBITDA de 30,3% também foi recorde para um primeiro trimestre e uma das mais altas do mundo. Isso confirma claramente nossa capacidade de crescer e expandir margens ao mesmo tempo.

Durante o trimestre, o CASK reduziu 5,9% em relação ao ano anterior. Um dos fatores que impulsionaram essa melhoria foi uma redução de 2,6% no consumo de combustível por ASK, como resultado do maior número de aeronaves de última geração em nossa frota. Temos o CASK mais baixo entre nossos concorrentes, mesmo com um tamanho médio de aeronave menor.

Encerramos o trimestre com uma sólida posição de liquidez de R$ 2,7 bilhões, representando 14% de nossa receita dos últimos doze meses. Incluindo recebíveis e investimentos de longo prazo, depósitos em garantia e reservas, nossa liquidez total foi de R$6,0 bilhões.

Nossa alavancagem atingiu 3,7x no 1T24, uma redução impressionante de 1,4x em um ano, e esperamos continuar nosso processo de desalavancagem, atingindo aproximadamente 3,0x no final de 2024, abaixo dos níveis pré-pandêmicos. Isso reflete nossa sólida estrutura de capital, além de nosso foco contínuo em redução de custos e produtividade.

Continuamos 100% focados em aumentar a lucratividade de nossos negócios e, com a contínua transformação de nossa frota, o aumento da utilização de aeronaves e outras iniciativas, encerraremos este ano como uma companhia aérea muito maior e mais lucrativa.

Entre agora e o 1T25, receberemos 13 novos Embraer E2s, que oferecem um consumo de combustível 18% menor em comparação com o E1 com 18 assentos a mais, resultando em um custo por assento 26% menor.

Combinando essa economia com nossa estratégia de malha exclusiva, geraremos um EBITDA significativo, fluxo de caixa livre e expansão de margem no segundo semestre de 2024 e nos próximos anos.

Gostaria de agradecer a todos vocês pelo apoio e estou animado para continuarmos essa jornada juntos.”

Receita Operacional

No 1T24, a receita operacional total da Azul cresceu R$ 200,1 milhões ou 4,5%, atingindo um recorde para um primeiro trimestre de R$ 4,7 bilhões.

A receita de passageiros aumentou 4,5%, com 2,6% a mais de capacidade em comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionada por ambientes de demanda doméstica e internacional saudáveis e receitas auxiliares robustas.

A receita de carga e outros atingiu R$ 321,4 milhões no 1T24, 4,2% maior em comparação com o 1T23, principalmente devido ao sólido desempenho dos negócios de carga e da operadora de turismo.

Custos e Despesas Operacionais

No 1T24, as despesas operacionais foram de R$ 3,9 bilhões, 3,4% menor em comparação com 1T23, explicado principalmente pela redução de 19,1% no preço do combustível, mas parcialmente compensado pelo crescimento de 2,6% na capacidade de passageiros, a inflação de 3,9% no período e pelos investimentos para apoiar o crescimento e maximizar a disponibilidade da frota.

A composição das principais despesas operacionais em comparação com o 1T23 é a seguinte:

▪ Combustível de aviação reduziu 19,1%, para R$1,353 bilhões, mesmo com um aumento de 2,6% na capacidade total, principalmente devido a uma redução de 19,1% no preço do combustível por litro (excluindo hedges) e uma redução de 2,6% no consumo de combustível por ASK como resultado da frota mais eficiente.

▪ Salários e benefícios aumentaram R$137,2 milhões em comparação com o 1T23, principalmente devido ao aumento de capacidade de 2,6%, um aumento sindical de 5,5% como resultado de acordos coletivos de trabalho aplicáveis a todos os funcionários de companhias aéreas no Brasil, a internalização de certas atividades para reduzir custos totais e as contratações feitas no 4T23 para reduzir o tempo de permanência no solo e apoiar o crescimento futuro.

▪ Depreciação e amortização aumentaram 8,3%, ou R$46,8 milhões, impulsionado pelo aumento no direito de uso como resultado de renegociações de contratos de arrendamento com arrendadores.

▪ Tarifas aeroportuárias reduziram 7,7% ou R$20,1 milhões, impulsionadas principalmente pela redução de 10,3% na capacidade internacional, que possui tarifas maiores, parcialmente compensado pelo crescimento de 6,0% na capacidade doméstica.

▪ Gastos com passageiros e tráfego aumentaram 6,1%, ou R$11,9 milhões, principalmente devido ao crescimento de 2,1% no número de passageiros e à inflação de 3,9% no período.

▪ Comerciais e publicidade aumentaram R$28,0 milhões, impulsionados principalmente pelo crescimento de 4,5% na receita de passageiros, levando a um aumento nas taxas e comissões de cartão de crédito.

▪ Manutenção e reparos aumentaram R$39,8 milhões versus o 1T23, principalmente devido ao maior número de eventos de manutenção para maximizar a disponibilidade das aeronaves, e parcialmente compensado pela valorização de 4,7% do real em relação ao dólar norte-americano e pela economia com a internalização de eventos de manutenção.

▪ O valor de Outras despesas reduziu 13,8%, ou R$61,7 milhões, principalmente devido a uma redução nas demandas judiciais no período, reduções nos custos de seguro e a valorização de 4,7% do real em relação ao dólar americano.

Resultado Não-operacional

Despesas financeiras líquidas foram de R$1,117 bilhões no trimestre, com R$540.3 milhões em arrendamentos reconhecidos como juros e R$292,4 milhões em juros sobre empréstimos e financiamentos.

Instrumentos financeiros derivativos resultaram em um ganho líquido de R$38,4 milhões no 1T24 principalmente devido aos ganhos com hedge de combustível registrados durante o período. Em 31 de março de 2024, a Azul havia feito hedge de aproximadamente 14,9% de seu consumo esperado de combustível para os próximos doze meses usando contratos futuros e opções.

Variações monetárias e cambiais, líquidas registraram uma perda de R$847,3 milhões no 1T24 devido à depreciação de 1,6% do real brasileiro em relação ao dólar americano no final do período, resultando em um aumento nos passivos de arrendamento e empréstimos denominados em moeda estrangeira.

Liquidez e Financiamentos

A Azul encerrou o primeiro trimestre com liquidez total de R$6,0 bilhões, incluindo investimentos e recebíveis de longo prazo, depósitos em garantia e reservas de manutenção. A liquidez imediata em 31 de março de 2024 era de R$2,7 bilhões, 50,8% maior em comparação com o 1T23 e representando 14,4% da receita dos últimos doze meses, mesmo com uma sazonalidade de caixa desfavorável, e depois de pagamentos de mais de R$1,8 bilhão em amortização de dívidas, juros e postergações.

O cronograma de amortização da dívida da Azul em 31 de março de 2024 é apresentado abaixo. O gráfico converte a dívida denominada em dólares para reais usando a taxa do final do trimestre, de R$4,98.

Em comparação com o 4T23, a dívida bruta aumentou R$1,198 bilhão, para R$24,384 bilhões, principalmente devido à depreciação de 1,6% no final do período do real em relação ao dólar americano no trimestre, resultando em um aumento nos passivos de arrendamento e empréstimos denominados em moeda estrangeira, além da emissão de debêntures locais e da reemissão de notas seniores com garantia com vencimento em 2028 no 1T24, parcialmente compensada pelo contínuo processo de desalavancagem, com R$ 1,7 bilhão em pagamentos de empréstimos, juros e arrendamentos durante o trimestre.

Em 31 de março de 2024, o vencimento médio da dívida da Azul, excluindo passivos de arrendamento e debêntures conversíveis, era de 4,4 anos, com uma taxa de juros média de 11,1%. A taxa média de juros das obrigações denominadas em moeda local e em dólar era equivalente a CDI +4% e 10,6%, respectivamente.

A alavancagem da Azul, medida como dívida líquida em relação ao EBITDA dos últimos doze meses, reduziu 1,4 ponto percentual em relação ao ano anterior, de 5,2x para 3,7x.

A empresa está confiante na capacidade de continuar reduzindo a alavancagem organicamente e reafirma a perspectiva para encerrar 2024 com alavancagem de aproximadamente 3,0x, abaixo dos níveis pré-pandêmicos.

Frota

Em 31 de março de 2024, a Azul tinha uma frota operacional de 181 aeronaves de passageiros e uma frota contratual de 183 aeronaves de passageiros, com uma idade média de 7,4 anos, excluindo aeronaves Cessna.

Ao final do 1T24, as 2 aeronaves não incluídas na frota operacional de passageiros consistiam em Embraer E1s subarrendados para a Breeze.

A Azul terminou o 1T24 com aproximadamente 83% de sua capacidade proveniente de aeronaves de nova geração, consideravelmente superior a qualquer competidor na região.

Capex

Os investimentos líquidos totalizaram R$446,2 milhões no 1T24 principalmente devido à capitalização de eventos de manutenção de motores e à aquisição de peças de reposição no trimestre.

Responsabilidade Ambiental, Social e de Governança (ESG)

A tabela abaixo apresenta as principais métricas ESG da Azul, de acordo com o padrão SASB (Sustainability Accounting Standards Board) para o setor aéreo:

Informações da Azul Linhas Aéreas

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

Veja outras histórias