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Boeing 737 que voou na VASP não pousará mais no telhado de um shopping mineiro

Imagem: Só Marcas Outlet

Um clássico Boeing 737-200, que teve uma bela e longa história nos céus brasileiros, pode ter seu destino final traçado, tudo porque tornou-se inviável para o seu proprietário movimentar o “jato” do local onde está atualmente. A história do paradigma do Boeing foi contada recentemente numa matéria do jornal O Estado de Minas, que conversou com o dono do 737.

Que avião é esse

Para colocar em contexto, vale a pena conhecer um pouco do avião que hoje está depositado no estacionamento de um centro comercial na cidade de Contagem, na Grande Belo Horizonte.

Tendo chegado em julho de 1969 com a matrícula PP-SMC, o clássico Boeing 737-200 foi um dos primeiros aviões desse modelo a voarem no Brasil, sempre sob as cores da Viação Aérea São Paulo (VASP), sua única dona ao longo de seus 35 anos de vida útil. Uma história curiosa sobre a aeronave é que ela esteve envolvida em dois casos de sequestro, sendo inclusive desviado para Cuba durante o período do regime militar. Seguiu voando por décadas, até que foi estacionado em 2004, após atingir o limite de seus ciclos de pressurização.

Imagem: Folha de SP

Em 2014, após dez anos parado em São Paulo, a aeronave foi arrematada por R$ 72 mil pelo empresário Mario Valadares, que o colocou em exposição num dos empreendimentos do seu grupo.

Com tanta história para contar, o jato merecia um destino de destaque.

E essa era a ideia do empresário, que desejava colocar a aeronave no telhado do Shopping BHOutlet, a fim de que servisse não apenas como atração para seu negócio, mas também fizesse as honras de “receber” quem estivesse chegando a Belo Horizonte pela entrada Sul da cidade (esse trecho foi corrigido, pois a posição final do avião não seria em Contagem e sim na entrada sul de BH).

Além disso, o projeto chegou a ter a ambição de criar uma área de cultura e ensino lúdico, onde as pessoas poderiam interagir com a aeronave e participar de exibições suportadas por tecnologia de realidade virtual.

O aval das autoridades chegou a ser obtido, mas o plano não prosperou. Ao invés disso, o tempo passou e o centro comercial adjacente, também de propriedade do empresário, ampliou de tamanho, passou a oferecer mais espaço para lojas. O resultado é que o Boeing 737 de 30 metros de comprimento acabou preso numa área de estacionamento.

E agora, no contexto atual, para remover a aeronave dali e colocá-la no alto do shopping center, seria necessário mexer com a estrutura física do centro comercial ou serrar o avião e transportá-lo em partes, conta o empresário, citando que envolveu até um engenheiro especializado para entender quais poderiam ser as alternativas.

“Infelizmente, o avião ficou em uma posição que nos impede de removê-lo do Só Marcas. Seria uma operação tecnicamente muito difícil e um custo altíssimo que não se justificaria mais”, afirmou Valadares ao O Estado de Minas. Segundo ele, “o projeto, agora, passa a ser a instalação das interações e da exposição no shopping onde o avião está mesmo”.

Se o plano de usar a aeronave como atração avançar, será um destino digno ao Sierra-Mike-Charlie.

Atual localização, antes das obras do shopping – Google Maps