Boeing 747 cruza o Oceano em menor altitude após motor não responder aos comandos

Um problema com um Boeing 747 levou os pilotos a declararem ‘PAN PAN’ e fazerem um voo mais baixo do que o habitual sobre o Oceano, após já estarem em rota a 35 mil pés de altitude (cerca de 10.600 metros).

Segundo reporta o The Aviation Herald, o incidente, que aconteceu no dia 11 de abril, envolveu o Boeing 747-400M registrado sob a matrícula VQ-BWM (visto na imagem abaixo), da JetOneX e operado pela Longtail Aviation, quando realizando o voo cargueiro 6T-5523. Ele partiu na noite do dia 10 de abril de Nova York-JFK, nos EUA, para Maastricht, na Holanda, com 4 tripulantes.

O Jumbo Jet estava prestes a deixar o território canadense para trás quando os pilotos observaram os parâmetros N1, N2 e EGT do motor #3 (localizado na posição interna na asa direita) tornando-se erráticos. O acelerador automático comandou grandes mudanças na alavanca de empuxo.

Embora nenhum limite do motor tenha sido excedido, o propulsor não respondeu aos movimentos da alavanca de empuxo.

Diante disso, os tripulantes trabalharam os itens de memória relacionados ao que poderia estar acontecendo, como o procedimento para oscilação de parâmetros ou estol de compressor, e chegaram à decisão que a melhor medida seria o desligamento do motor.

Os pilotos declararam “PAN PAN” ao controle de tráfego aéreo (mensagem na frequência de comunicação que indica uma situação de urgência, ou seja, um problema que requer atenção, mas que não indica risco iminente à aeronave).

Eles desceram a aeronave para 27 mil pés (cerca de 8.200 metros), mas decidiram continuar a travessia do Oceano Atlântico nessa altitude mais baixa, em direção a Shannon, na Irlanda.

O Jumbo iniciando a travessia do Atlântico a 27 mil pés – Imagem: RadarBox

Mais adiante, no entanto, optaram por desviar a aeronave para Liege, na Bélgica, onde um pouso seguro foi executado na pista 22L, cerca de 5 horas após o desligamento do motor, já no dia 11 de abril.

O órgão de investigação do Canadá (TSB) relatou que a manutenção determinou que o “resolver” da alavanca de empuxo nº 3 estava com problema e precisou ser substituído. Este equipamento fica embaixo das alavancas de empuxo e é responsável por transformar a posição física da alavanca no sinal elétrico que determina a potência a ser enviada ao sistema do motor.

O Jumbo voltou a voar no dia 13 de abril, em um voo direto para o Vietnã, sem novos reportes conhecidos de problema semelhante.

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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