Boeing vai desovando seu estoque enquanto dá descontos nas aeronaves paradas

Boeing 737 MAX 7 – Imagem: Wilco737 / CC BY-NC-SA 2.0, via Flickr

A Boeing parece estar deixando para trás a crise do MAX enquanto continua vendendo “caudas brancas” para novos clientes com grandes descontos, com seus estoques se esgotando. O fabricante entregou 22 aeronaves em agosto deste ano e recebeu pedidos de sete Boeings 787, o que permitiu abordar os problemas técnicos do Dreamliner com certo otimismo.

Das 22 aeronaves entregues no mês passado, 16 correspondem ao segmento de fuselagem estreita: 14 737 MAXs e 2 Poseidons P-8, este baseado no 737-800. O restante foi de três KC-46, dois 777F e um 767-300F.

De acordo com nosso parceiro Aviacionline, durante esse ano, a Boeing entregou 169 737 MAXs, no entanto, o mais importante foi a quantidade de novos contratos que fez para as quase 200 aeronaves encomendadas e depois canceladas pelos clientes (denominadas “caudas brancas” por terem sido produzidas e ficado sem dono), sendo um pouco por causa da pandemia e um pouco pela paralisação de quase dois anos devido às questões de segurança do modelo, que afetaram severamente a confiança dos operadores.

Para isso, a americana recorreu a uma ferramenta muito eficaz: descontos massivos nos aviões que tinha em estoque. Embora a empresa negue as acusações de venda de equipamentos bem abaixo do custo, é de se esperar que a política comercial atual inclua um preço ‘amigo’ para aqueles que permitem que ela se desfaça de aviões pelos quais já pagou e que caíram no limbo de armazenamento de longo prazo.

A Boeing recebeu pedidos para 53 aeronaves em agosto, incluindo 35 MAX e 18 aeronaves wide-body (fuselagem larga). Entre eles, 11 cargueiros 777F – um para a FedEx e mais 10 para um comprador ou compradores que a Boeing optou por não identificar. O total líquido para agosto, subtraindo cancelamentos e conversões, é 23.

Assim, os pedidos líquidos para 2021 somam 280 (de um total bruto de 683), 150 aeronaves a mais do que o total líquido da Airbus de 132. Por outro lado, se nos concentrarmos nas entregas, a Boeing entregou 206 aeronaves, quase 180 a menos que a Airbus, com 384.

Fontes da indústria disseram que a Boeing está perto de vender cerca de 70-100 aviões 737 MAX para a indiana Akasa, uma empresa de baixo custo fundada pelo bilionário Rakesh Jhunjhunwala.

No entanto, ela ainda está discutindo com a Ryanair o preço de um pedido de até 250 jatos 737 MAX-10. A Rayanair disse que encerrou as negociações na semana passada, porque não está disposta a ceder às demandas de preços da Boeing em meio à incerteza sobre as tendências da COVID-19. Mas, com o CEO O’Leary e suas táticas de negociação agressivas, nunca se sabe.

Mas uma coisa é inegável: se as “caudas brancas” acabarem, a necessidade de a Boeing de fazer liquidação diminuirá rapidamente, o que pode colocar o preço dos MAXs de volta em valores mais alinhados com os patamares históricos. Parece então, que o pior da crise do MAX está ficando para trás, em termos econômicos, e que a Boeing começa a trilhar um caminho ainda escuro, mas com um pouco mais de luz no fim do túnel.

Leia mais:

Juliano Gianotto
Ativo no Plane Spotting e aficionado pelo mundo aeronáutico, com ênfase em aviação militar, atualmente trabalha no ramo de fotografia profissional.

Veja outras histórias