Bolsonaro diz que não tem como comprar todos KC-390 e tenta vender para árabes

O mal-estar entre a Embraer e Força Aérea Brasileira (FAB) foi um dos assuntos comentados pelo Presidente Jair Bolsonaro em Dubai, durante visita oficial ao show aéreo que começa hoje (14).

Imagem: Sgt Bianca – Força Aérea Brasileira

Cargueiro militar e maior avião já fabricado no hemisfério sul, o KC-390 é um dos grandes símbolos de tecnologia desenvolvida no Brasil, mas assim como o país, passa por uma crise. Batizado de C-390 Millenium pela Embraer e KC-390 pela FAB, o jato tinha inicialmente 28 encomendas para o Brasil, além de 5 para Portugal e 2 para Hungria.

O número de 35 pedidos firmes já era baixo, mas o corte de 46% no lado brasileiro, levando o número a apenas 15 unidades, foi um “soco no estômago” da Embraer, que não aceitou um acordo amigável e agora vai à justiça para garantir a execução do contrato ou um reequilíbrio econômico-financeiro.

“Conversei com o comandante da FAB, o brigadeiro Carlos Baptista. Não tem como comprar tudo aquilo. Temos que ter uma frota que possamos manter operacional. Você não pode comprar um avião como compra um carro, que muitas vezes bota na garagem. O avião tem que se movimentar, e isso custa caro. O orçamento da Força Aérea está apertado”, declarou o presidente em Dubai, segundo o jornal Folha de São Paulo.

Ao tentar amenizar para a fabricante que nasceu dentro da própria FAB, Bolsonaro diz estar otimista com a venda do KC-390, e inclusive estaria fazendo sua parte, oferecendo aos árabes.

“Não tem problema de imagem, a Embraer é uma potência, uma coisa fantástica. A Embraer está em vários países do mundo, então mercado não falta”, disse Bolsonaro, citando uma conversa com o Emir de Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum.

UAE in Glasgow

Segundo dados da Flight Global no seu levantamento anual de Forças Aéreas do mundo, inclusive patrocinado pela Embraer, a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos conta com 8 aviões C-130H e L-100 Hércules, que são respectivamente a versão militar e civil do principal concorrente do KC-390.

Estes aviões foram fabricados entre a década de 70 e 80 e já estão próximos do fim da vida útil, mas convencer os árabes que o produto brasileiro é melhor do que comprar novos e modernizados Hércules, não será fácil, já que os Emirados não tem tradição de comprar equipamento militar brasileiro e, por outro lado, compram muito dos EUA.

Os próximos dias no Dubai Air Show devem reforçar esta tese ou até quem sabe quebra-lá. Tudo dependerá da diplomacia de ambos países do continente americano.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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