Cinco russos estão presos por meses em aeroporto coreano para fugir de alistamento militar

Aeroporto Internacional de Incheon

Após fugirem de seu país de origem para escapar do alistamento militar, pelo menos cinco cidadãos russos ficaram retidos na área de embarque do Aeroporto Internacional de Incheon, em Seul, na Coreia do Sul, por vários meses, sem conseguir asilo.

O caso se tornou conhecido após relatos de Vladimir Maraktaev, um dos jovens que originalmente cruzou a fronteira da Mongólia para sair da Rússia e depois voou para as Filipinas, onde passou várias semanas antes de comprar uma passagem só de ida para Seul.

Maraktaev chegou ao aeroporto de Incheon em 12 de novembro de 2022 e está preso lá desde então, depois que seu pedido de asilo foi rejeitado na fase preliminar. Ele aguarda o resultado de um recurso que poderá ser julgado no final de janeiro.

Saí de casa na noite de 24 de setembro, poucas horas após receber o aviso de recrutamento. Decidi partir o mais rápido possível porque eles poderiam vir me buscar pela manhã”, disse Maraktaev ao Korea Times.Nunca pegarei em armas para matar pessoas inocentes na Ucrânia”, continuou ele.

O presidente Vladimir Putin ordenou uma mobilização em setembro de 2022 para reforçar o exército da Rússia em sua invasão da Ucrânia. As forças armadas russas esperavam recrutar até 300.000 homens com experiência anterior em combate no primeiro turno da mobilização.

Maraktaev diz que escolheu a Coreia do Sul pelo que sabia sobre a democracia do país e pelo respeito aos direitos civis. O que ele não sabia, no entanto, era que a Coreia do Sul não apenas rejeita a grande maioria dos pedidos de refúgio (até 98,7%), mas também que o país não considera a fuga de um alistamento militar uma razão válida para solicitar asilo.

Como resultado, Maraktaev e seus colegas russos em busca de asilo se viram presos no saguão de embarque do aeroporto de Incheon, incapazes de entrar na Coreia do Sul e sem vontade de voltar para casa.

Os homens estão sendo ajudados por uma instituição de caridade local que entrou com um recurso em seu nome. Eles esperam que seus pedidos de refúgio sejam levados à consideração formal, com base no fato de que enfrentarão perseguição em seu país de origem com base em sua opinião política.

Se forem bem-sucedidos, eles receberão o direito temporário de entrar na Coreia do Sul e sair do aeroporto. Se o apelo de última hora falhar, eles correm o risco de serem enviados de volta à Rússia, mas enquanto isso, permanecem morando no aeroporto de Incheon, contando com alimentos doados.

Em comunicado, o Ministério da Justiça da Coreia do Sul rejeitou as alegações de abandono dos homens. Referindo-se ao processo de avaliação de asilo, e num comunicado disse: “Os procedimentos de triagem foram tratados de acordo com as regras estipuladas na Lei dos Refugiados, promulgada com base em padrões internacionais para triagem de refugiados e casos no exterior em países desenvolvidos”.

A sua situação vista acima lembra a história de Mehran Karimi Nasseri, o refugiado iraniano que se viu morando dentro do Terminal 1 do Aeroporto Charle De Gaulle, em Paris, de 1988 a 2006. Embora não fosse mais obrigado a ficar no aeroporto, Nasseri voltou a acampar no terminal em setembro passado, onde faleceu meses depois.

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Ativo no Plane Spotting e aficionado pelo mundo aeronáutico, com ênfase em aviação militar, atualmente trabalha no ramo de fotografia profissional.

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