Clima esquenta e ACI World rebate críticas da IATA sobre taxas aeroportuárias

Imagem ilustrativa: pátio do Aeroporto Internacional da Guarulhos

Após o longo período de dificuldades na aviação mundial de transporte de passageiros por conta da crise gerada pela pandemia da Covid-19, em que os diversos setores envolvidos nas operações aéreas se uniram para buscar soluções conjuntas para sobreviverem ao crítico cenário, o clima amistoso agora dá lugar a uma troca de críticas entre duas entidades bastante representativas.

Em resposta às declarações feitas na Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) sobre as taxas aeroportuárias, o diretor-geral do Conselho Internacional de Aeroportos (ACI World), o brasileiro Luis Felipe de Oliveira, emitiu um comunicado com comentários sobre a situação, cujo conteúdo você lê na íntegra a seguir:

“Depois de um período em que houve colaboração e união sem precedentes de aeroportos e companhias aéreas para sobreviver a esta crise e reconstruir a confiança dos passageiros, é decepcionante ouvir este tom de declarações vindas da IATA. Afirmações feitas sobre a indústria aeroportuária estão fora de contexto e não refletem os esforços feitos pelos aeroportos para apoiar o ecossistema da aviação durante a pandemia.

Os aeroportos também passaram por um enorme estresse financeiro e tiveram que fazer cortes drásticos para se manter à tona. E em muitas jurisdições, os aeroportos não receberam o mesmo nível de apoio em comparação às transportadoras aéreas. Para manter as instalações funcionando e seguras para operar voos de carga e humanitários durante a pandemia, por exemplo, os aeroportos assumiram imensos custos. Fundamentalmente, os aeroportos sempre permanecerão como negócios intensivos em infraestrutura – isso se traduz em uma alta proporção de custos fixos.

“Além disso, apesar dos custos fixos que os aeroportos têm de arcar, a indústria aeroportuária tem apoiado a comunidade aérea durante a crise.

Uma pesquisa recente de operadores aeroportuários abrangendo todas as regiões do mundo e diferentes tamanhos de aeroportos em termos de níveis de tráfego mostrou que a maioria dos aeroportos – quase 70% – implementou alguma forma de desconto ou incentivos em seus esquemas de cobrança aeroportuária para lidar com os impactos da Covid-19 e dar suporte à recuperação. Além disso, durante 2020, muitos operadores aeroportuários adiaram ou renunciaram a certas taxas aeroportuárias em apoio a seus clientes de companhias aéreas.

Os dados da própria IATA mostram que, no auge da crise, houve, na verdade, uma redução nas taxas de uso como proporção dos custos das companhias aéreas. Uma análise das taxas, que contêm tanto o controle de tráfego aéreo quanto as taxas aeroportuárias, mostra que estas taxas representam apenas cerca de 5% dos itens de custo da companhia aérea em 2020, e esta parcela diminuiu em relação aos níveis de 2019, anteriores à pandemia da Covid.

No geral, os aeroportos também são empresas que sofreram grande estresse financeiro durante a crise da Covid-19 e a desaceleração histórica do tráfego de passageiros. Na verdade, este pode ser um momento para repensar a supervisão econômica das taxas aeroportuárias para algo que reflita mais as condições de mercado e que permitam que o risco seja compartilhado entre as companhias aéreas e os aeroportos.

Os aeroportos continuarão a ser negócios intensivos em infraestrutura – o que significa custos fixos altos e inevitáveis que devem ser mantidos para o benefício dos passageiros e das comunidades atendidas pelos aeroportos. Continuaremos a colaborar com as companhias aéreas parceiras e outras partes interessadas para reconstruir um setor que seja resiliente e sustentável – mas que precisa ser justo para todo o ecossistema da aviação.”

Informações do ACI World

Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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