Com 209 a bordo, A330 tem estol dos motores a 41 mil pés por contaminação

Airbus A330-300 da South African Airways – Imagem: Clément Alloing

Um incidente bastante grave foi registrado durante um voo comercial de transporte de passageiros, quando um avião de grande porte apresentou falhas constantes de ambos os motores desde a altitude de cruzeiro até o pouso.

O caso, ocorrido em 15 de abril, mas repercutido apenas agora, envolveu o Airbus A330-300 registrado sob a matrícula ZS-SXM, da South African Airways, quando estava realizando o voo SA-9053 de Acra, em Gana, para Joanesburgo, na África do Sul, com 184 passageiros e 25 tripulantes (4 piloto, 20 comissários de bordo e um técnico).

Segundo reporta o The Aviation Herald, o A330 estava em rota no nível de voo de 41 mil pés (12.500 metros de altitude) sobre Botswana, a cerca de 310 milhas náuticas (574 km) do destino Joanesburgo, quando os pilotos relataram que os dois motores estavam apresentando estóis de compressor (perturbação no fluxo normal de ar através da seção de compressão, podendo gerar variação na rotação do motor, perda de potência, retorno do fluxo de ar e de chama da combustão para a frente e até apagamento do motor).

Eles solicitaram uma descida para o nível de 19 mil pés, e continuaram nessa altitude até a descida para Joanesburgo, mas experimentaram mais oscilações em ambos os motores, inclusive durante a aproximação final para pista 21R de Joanesburgo.

Apesar do problema, a aeronave pousou com segurança na pista 21R cerca de 50 minutos depois do início da descida.

O voo SA-9053 estava originalmente programado como SA-53 para o dia anterior, 14 de abril de 2022, no entanto, durante o abastecimento do Airbus A330 em Acra, descobriu-se que o combustível havia sido contaminado com grandes quantidades de água. A contaminação foi percebida quando os motores não deram partida no momento da saída da aeronave.

O A330-300 foi puxado de volta para a ponte de embarque, a água foi posteriormente drenada e a aeronave partiu para Joanesburgo no dia seguinte, quando apresentou as oscilações de ambos os motores.

Após o voo, a aeronave permaneceu no solo em Joanesburgo até 18 de maio de 2022, pois, após o pouso, ainda foi encontrada contaminação significativa de água no combustível restante, nos sistemas de combustível e nos motores. Todas as bombas de combustível precisaram ser substituídas.

A autoridade de aviação civil da África do Sul informou que a ocorrência foi classificada como um incidente grave e está sendo investigada pelo comitê de investigação de Gana.

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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