Com A319 menos denso, ITA quer chegar onde os ATR voam: o interior do país

O menor avião da estreante Itapemirim tem um destino certo, além do Aeroporto de Congonhas: os aeroportos regionais do interior do país. A fórmula, no entanto, desperta surpresas.

O primeiro Airbus A319 da empresa, uma aeronave alugada da HiFly Malta, já está no país desde a semana passada e, em breve, será integrado à empresa. O jato em questão é um modelo menor do que o A320, que é operado em uma configuração para 162 passageiros, a menos densa do mercado atualmente e igual à de aeronaves da Latam e da finada Avianca Brasil.

No entanto, para o A319, a capacidade será mais reduzida ainda, segundo Sidnei Piva disse ao jornalista Luiz Fara Monteiro, em entrevista ao portal R7. Para o presidente da Itapemirim, o mais novo Airbus da empresa terá apenas 124 lugares.

A319 da ITA

Este número chama atenção, já que trata-se de uma capacidade muito próxima do A318 da Avianca Brasil, que levava 120 passageiros, enquanto que os A319 da falida empresa aérea tinham capacidade de 132 clientes. Enquanto isso, a titúlo de comparação, a LATAM opera seu A319 com 144 assentos.

No entanto, a competição da Itapemirim seria não com os jatos, mas com os turboélices das concorrentes. Disse ele:

“Deixa eu te falar do A319: a estratégia é o voo regional, que vem do nosso rodoviário, que atende 2.700 cidades. Com a tecnologia avançada de hoje, o 319 tem a mesma capacidade de chegar a lugares como um ATR chega”, afirmou Piva.

A afirmação de Piva é apenas parcialmente verdadeira, por alguns motivos, já que há aeroportos notadamente não homologados para aeronaves como um A319, mas para onde o ATR voa sem nenhum empecilho. Existe também a questão da configuração interna, já que, mesmo com 124 a bordo, esse número está muito acima da capacidade do ATR, para 70 passageiros, de modo que, imaginamos, a ITA não entraria em uma rota para o avião voar vazio.

ATR da Azul

O ATR é um turboélice francês, de grande história no Brasil, já operado pela Pantanal, Trip, Total, e hoje é utilizado pela Azul e pela Voepass, com até 70 assentos. Este avião acabou se encaixando muito bem no mercado regional brasileiro por ter um custo operacional baixo, fácil manutenção e ter evoluído ao longo dos anos, passando pela série 200, 500 e a atual 600.

O principal ponto é que, por ser um avião menor, com asa reta e alta, tem capacidade de operar em pistas menores e menos preparadas, exigindo menos das pequenas cidades que volta e meia precisam adequar o aeroporto para receber os voos regulares.

O A319 teria essa desvantagem, além do custo operacional maior tanto pelo fato do consumo a mais do motor turbojato frente ao turboélice, como também a exigência de um comissário a mais pela capacidade 80% maior que o ATR.

Por enquanto, tudo não passam de ideias e a Itapemirim muda constantemente seus caminhos. No entanto, o que se sabe por ora é que o A319 não tem rota definida ainda, já que os voos saindo do Aeroporto de Congonhas foram anunciados apenas para o Galeão no Rio de Janeiro, mas com o A320:

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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