Funcionária denuncia a GOL por assédio moral e demissão após se recusar a vacinar-se

Uma funcionária recém-demitida da Gol Linhas Aéreas foi até as redes sociais para expor a sua demissão, a qual atribui ao fato de não ter se vacinado, além de acusar a empresa aérea de assédio moral. A companhia não quis comentar o assunto.

A denúncia foi feita por Marília Almeida, Despachante Técnica que trabalhou durante 12 anos na Gol, conforme ela mesma divulgou nas suas redes sociais. Durante uma transmissão ao vivo no seu Instagram, ela relatou sua versão de fatos, que ocorreram antes e durante o seu desligamento da empresa.

Procuramos a Gol, que informou que não vai comentar o assunto.

O que diz Marília

Segundo a funcionária, ela não pode tomar a vacina contra o coronavírus por causa de uma recomendação médica em decorrência de uma doença que descobriu faz pouco tempo e que a impediria, inclusive, de ter uma gestação saudável de um futuro filho.

Ela relata que levou até o médico da empresa o laudo para pedir a isenção da vacinação, que é exigida pela companhia (uma prática permitida por lei e que as empresas podem empregar de acordo com suas políticas).

No entanto, ela alega que seu laudo teria sido recusado e que, pouco tempo depois, ela foi chamada por sua chefia para ter uma conversa. Na ocasião, ela comenta que seus chefes, três homens, começaram uma conversa amigável, mas depois a questionaram sobre não tomar a vacina.

Ela relata que os seus superiores sugeriram que ela tomasse remédios para a doença e que se vacinasse. Em seu entendimento, a reunião foi repleta de assédio moral e, logo depois, ela teria sido demitida por justa causa (portanto, sem direito à multa e outros direitos trabalhistas).

Em uma das acusações, a funcionária alega que há um “filtro” que impede a aceitação de laudos para isenção da vacina, indicando que uma médica da companhia também trabalha para a Fiocruz, fundação que produz sob licença a vacina da AstraZeneca. Por fim, Marília cita que vai acionar a justiça contra a empresa e os gestores citados no vídeo.

De fato, são acusações que ela terá que comprovar na justiça.

Assista ao vídeo na íntegra:

Repercussão

O vídeo tem rodado em grupos da empresa, mas também chegou ao meio político. A Deputada Federal Bia Kicis (PSL-DF) comentou na publicação de Marília dizendo: “Vá à Justiça do trabalho e também peça danos morais, Meu Deus, é de cortar o coração. Aposto que o sindicato de vocês nem liga”.

Conversamos com tripulantes e funcionários da GOL sobre o caso e as opiniões são diversas. Existem relatos sobre cansaço e assédio moral, porém alguns nos relatam que o caso de Marília teria sido o primeiro a ficar “público” de uma demissão de funcionário por falta de vacina.

Em outubro do ano passado funcionários da GOL publicaram um vídeo criticando a decisão da empresa em desligar que não tomasse a vacina:

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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