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Como foi voar no Boeing 737 MAX recertificado e em plena pandemia

O ano de 2020 foi realmente desafiador para todos, especialmente para o mercado da aviação. Enquanto a pandemia segue atrapalhando a vida de todos, há indicações de um 2021 melhor: o Boeing 737 MAX está certificado e a vacina está próxima.

E enquanto a vacina não vem, a novidade do dia pode ser animadora: o Boeing 737 MAX recertificado e pronto para o voo. Fomos convidados pela GOL para sermos uns dos primeiros no Brasil e no mundo a poder verificar o trabalho feito no avião ao longo dos últimos 20 meses.

Desde o primeiro acidente em 2018, acompanhamos dia após dia a saga que se passou para que o MAX se tornasse novamente um jato com o padrão Boeing que estamos acostumados a ver. Agora, poderíamos provar na prática estas mudanças, antes de qualquer passageiro pagante no mundo. Pode até ter dado certo frio na barriga. Não por medo, mas exatamente por acompanhar de perto todo esse processo, que contou com envolvimento de alguns amigos nos EUA e no Brasil.

O voo especial de número G3-9920 partiu do gate 1 de Congonhas no horário previsto, às 11h00. No embarque, a todo momento era enfatizada pela companhia a necessidade de se manter o distanciamento social adequado às normas da pandemia.

À bordo, chama a atenção o espaço interno, principalmente na parte superior. Os bagageiros (bins) são claramente maiores que os da série Next Generation (NG) e o sistema de iluminação varia de acordo com a fase do voo e o horário do dia, reduzindo os efeitos adversos do voo no corpo humano, especialmente quando há cruzamento de fusos horários – ainda que o a maior parte das operações seja doméstica, o modelo também deverá fazer voos de longa duração para o Caribe, por exemplo.

Meu assento foi o 6A, o primeiro após as cinco fileiras da sessão GOL+, que tem maior espaço para as pernas. Mesmo na fileira da Econômica regular, não tive problema de espaço para minhas pernas, considerando que tenho 1,83 m de altura. No total, a aeronave leva 186 passageiros.

Durante o acionamento dos motores, fica nítida a maior diferença da família MAX em relação à NG. Os motores mais eficientes são também muito mais silenciosos.

A nossa decolagem foi na pista 17R de Congonhas. A performance superior da aeronave permitiu uma saída rápida do solo e uma subida igualmente veloz, em pouco tempo nivelando no nível de voo 410 (12,5 km) de altitude.

Em voo de cruzeiro decidi testar a internet Wi-Fi, que utiliza a conhecida rede GoGo, presente em dezenas de companhias aéreas. Para conectar, basta acessar a rede Gol Wi-Fi e apontar a câmera do celular para um QR Code, que então abre a página de autenticação que permite ao passageiro ver filmes, TV Ao Vivo, series e outros programas.

Caso queira acessar a internet em outros sites e aplicativos, é necessário comprar algum dos pacotes, que vão de R$ 10 até R$ 50, de acordo com a velocidade e finalidade de uso.

Fornecido em cortesia pela empresa, utilizamos o pacote MAX, mais caro no valor de R$ 50. Demorou em torno de 20 minutos, entre conexões e desconexões, até conseguir acessar. Provavelmente isso ocorreu pelo alto uso, já que o voo era exclusivo para jornalistas que utilizavam ao máximo a rede Wi-Fi. Depois de conectado, foi possível interagir no WhatsApp e Instagram sem dificuldades.

Devido à pandemia, foi distribuída apenas água a bordo, tendo o snack ficado para o fim do voo, mas a jornada para Confins foi tranquila. Atravessamos algumas áreas de turbulência com chuva, mas a estabilidade da aeronave foi aparentemente maior do que a que eu já experimentei no 737 NG. A descida foi bem rápida, mas não senti o comum incomodo no ouvido, principalmente pelo sistema de pressurização otimizado presente no MAX.

Detalhe da galley traseira e banheiro, agora decorado com flores

Já o pouso foi executado de maneira exímia e o táxi feito de maneira rápida, sendo que desembarcamos no hangar da companhia, o GOL Aerotech.

Em resumo, a experiência no voo foi tranquila. Apesar do receio que ainda pode persistir em alguns viajantes, dadas as fatalidades com o modelo, a segurança da operação foi bastante visível e eu me senti confortável durante todo o tempo. Certamente, uma aeronave que virá para ficar, dentro dos mais altos padrões da indústria.

O AEROIN viajou no Boeing 737 MAX a convite da GOL Linhas Aéreas

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A
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