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Condor continuará crescendo apesar da alta do combustível e visa ao retorno de voos ao Brasil

O Brasil está entre os mercados que a companhia aérea alemã Condor avalia retromar voos para ampliar sua presença internacional. A empresa pretende crescer cerca de 20% nos próximos três anos, com a incorporação de aeronaves e a expansão de sua oferta de voos, especialmente no segmento de lazer.

Durante uma entrevista no Routes World 2026, em Frankfurt, o CEO da Condor, Peter Gerber, apontou a América do Sul, com destaque para o Brasil, o Leste Asiático e a China como regiões nas quais a companhia vê oportunidades. O avanço nesses mercados, porém, dependerá de parcerias que permitam alimentar os voos com passageiros em conexão.

Entre os destinos já previstos na expansão está Chicago, cuja estreia na malha está programada para o próximo verão do Hemisfério Norte. Para sustentar o crescimento nos próximos três anos, Gerber citou a chegada de mais quatro Airbus A330neo, além de um número expressivo de A320 e A321.

Atualmente a Condor opera 18 A330neo e tem outros sete encomendados, com previsão de alcançar 25 unidades até 2031. A companhia identifica espaço para ampliar os voos de lazer em parceria com operadoras de turismo, sobretudo nas rotas de longo curso durante o inverno europeu, período em que esse modelo de negócio apresenta bons resultados.

Em relação à China, Gerber afirmou que a empresa já iniciou os primeiros passos e dispõe de direitos de tráfego, mas ainda precisa avançar para se tornar uma concorrente relevante naquele mercado. O executivo também mencionou que ainda existem horários disponíveis para pousos e decolagens em algumas rotas de curta distância.

Outro movimento acompanhado pela Condor é a possível aquisição de uma participação na TAP Air Portugal pela Lufthansa. A companhia pretende analisar a estrutura da operação e eventuais medidas exigidas pelas autoridades de concorrência, considerando a forte presença da TAP nas ligações com a América Latina.

No passado, a Condor operou voos no Brasil de 2018 até 2019, de Frankfurt para Fortaleza e Recife, usando Boeings 767-300ER. Na época, o foco eram os turistas alemães visitando o litoral nordestino durante a temporada de verão brasileiro, inverno na Europa.

Esta demanda ainda existe, porém a dinâmica do mercado mudou: a Iberia começou a voar com o Airbus A321XLR para as duas cidades, a Air France manteve a presença em Fortaleza, enquanto a TAP fortaleceu a presença na capital cearense com o A321LR, num voo que se estende até São Luís, e também mantém até dois voos diários para a capital pernambucana, também otimizando a rota com o A321LR, alternando com os maiores A330ceo/neo.

Desta maneira, a Condor pode estar olhando para outros destinos além dos já operados no Brasil, com Rio de Janeiro sendo uma opção relevante junto de Salvador e Natal.

Apesar dos planos de crescimento, a demanda para o Oriente Médio exige atenção. Gerber relatou que a crise na região reduziu o interesse por viagens ao Golfo, particularmente entre os europeus, que demonstram maior preocupação com a segurança em Dubai.

Ainda assim, o executivo avaliou de forma bastante positiva o desempenho da Condor no verão e afirmou que as reservas para o inverno se mantêm firmes. A percepção da empresa é de que há espaço para continuar expandindo sua atuação no turismo, mesmo diante das dificuldades observadas em determinados destinos.

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