Conheça o que há por trás do serviço de Busca e Salvamento da aviação do Brasil

Operador a bordo de um C295 de Busca e Salvamento da FAB – Imagem: Luiz Eduardo Perez / DECEA

As missões de Busca e Salvamento realizadas pela Força Aérea Brasileira (FAB) acontecem sobre todo o território nacional, sobre o mar territorial e ainda em uma ampla área de águas internacionais do Atlântico.

Por força de tratados internacionais, o Brasil é responsável por essas missões em uma área de mais de 22 milhões de km², quase três vezes a extensão continental do País (de 8,5 milhões de km²).

Por trás de toda operação para encontrar e resgatar vidas, existe um intenso trabalho de bastidores que envolve uma rede integrada que monitora possíveis incidentes 24 horas por dia.

Cabe ao Centro Brasileiro de Controle de Missão (BRMCC), localizado no Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), em Brasília (DF), verificar o sinal de alerta e transmiti-los aos Centros de Coordenação de Salvamento Aeronáuticos (ARCC), conhecidos como SALVAERO, situados em Brasília (DF), Curitiba (PR), Recife (PE) e Manaus (AM), e/ou Marítimo (SALVAMAR), que assumem a missão de prestar o Serviço de Busca e Salvamento.

Imagem: Luiz Eduardo Perez / DECEA

O SALVAERO tem a responsabilidade de coordenar as operações de busca e salvamento em sua respectiva área de jurisdição por meio de dados recebidos do BRMCC, órgãos de controle de tráfego aéreo ou por demanda do público em geral. Após o acionamento de todo esse sistema, podem ser acionados aeronaves, embarcações e grupos de solo para a missão de busca e salvamento.

A rapidez na distribuição e na precisão das informações dos alertas, oriundos de aeronaves ou embarcações, que são recebidos pelo sistema COSPAS-SARSAT, são determinantes para que os Centros de Coordenação e Salvamento cumpram a sua missão e possam localizar e resgatar o mais rápido possível os sobreviventes.

“A aptidão técnica para a execução de uma tarefa é de fundamental importância para se maximizar a probabilidade de sucesso. Dentro da atividade de Busca e Salvamento isso ganha um peso ainda maior por estarmos tratando de vidas que podem estar em potencial estado de perigo. Logo, todos os Elos responsáveis, seja pelo planejamento, coordenação e execução das missões de Busca e Salvamento devem se manter constantemente treinados e em condições de atuar 24 horas por dia, 7 dias por semana”, afirma o chefe da Divisão de Busca e Salvamento (DSAR) do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), Major Aviador Bruno Vieira Passos.

Imagem: Luiz Eduardo Perez / DECEA
Imagem: Luiz Eduardo Perez / DECEA

Dados do Anuário SAR 2021

De acordo com o Anuário SAR (sigla do inglês para Search and Rescue – Busca e Salvamento) de 2021 elaborado pelo DECEA em relação aos casos com a participação da Força Aérea Brasileira, foram resgatadas 50 vítimas com vida.

No ano de 2021 foram registrados 2.089 casos, sendo 2.066 resolvidos nas buscas por comunicações e 23 envolveram operações de buscas, com o emprego de mais de 615 horas de voo.

O relatório aponta ainda que o BRMCC recebeu 1.268 sinais de alerta, dos quais 15 foram reais e 858 foram sinais falsos de alerta.

Outro fator frequente responsável por esses números são os acionamentos equivocados das balizas de emergência (Transmissores Localizadores de Emergência – ELT e EPIRB), equipamentos embarcados na grande maioria das aeronaves e embarcações que são acionados em casos de emergência por uma ação voluntária ou por um impacto sofrido. O sinal captado por satélites é transmitido aos SALVAERO através do BRMCC.

Sistema INFOSAR

De acordo com o Major Vieira, os proprietários de aeronaves e embarcações que possuem balizas de emergência ELT e EPIRB ou localizadores pessoais (PLB) devem fazer o cadastro das balizas pelo sistema INFOSAR, um serviço simples, rápido e gratuito.

“Desde janeiro de 2016, quando o sistema entrou em funcionamento, 8.192 usuários registraram suas balizas, havendo exclusões, atualizações de dados e inserções no sistema de registro”, esclarece.

A evolução tecnológica é de extrema importância para aumentar a eficiência nos processos das atividades de naturezas diversas.

“Quando colocamos a tecnologia para atuar a nosso favor dentro da atividade de busca e salvamento, conseguimos tornar o processo mais eficiente e consequentemente melhorar os resultados. Temos como exemplo os equipamentos embarcados das aeronaves e das embarcações que emitem um sinal de localização em situações de perigo e/ou emergência de forma manual ou automática”, pontua o Major Vieira.

O DECEA tem priorizado o trabalho de conscientização através de campanhas de divulgação para destacar a importância do registro das balizas pelos proprietários de aeronaves e embarcações.

“Isso reduz muito o tempo de resposta e aumenta sobremaneira a probabilidade de sobrevida das vítimas. A cada dia que passa a tecnologia nos auxilia mais a termos não só uma condição de utilização dos meios de forma mais segura, como também a respondermos de forma mais eficiente à uma condição de emergência”, afirma o chefe da Divisão de Busca e Salvamento do DECEA.

Informações do DECEA

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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