
O copiloto que tentou cometer um ato de terrorismo ao esfaquear o comandante da Flydubai foi identificado como Hammam Al-Hammami.
A tentativa frustrada de sequestro da aeronave Boeing 737 MAX 8 da Flydubai, que ocorreu na última quarta-feira (30) no voo FZ 1073, envolveu uma briga entre Al-Hammami e o heroico comandante Smit Machchhar, que, mesmo após ser esfaqueado pelo copiloto terrorista, conseguiu chegar até a porta da cabine e abrir a mesma, permitindo que a ajuda chegasse.
O voo que seguia de Dubai para Tel Aviv foi desviado para o interior da Arábia Saudita após os passageiros e dois pilotos que estavam viajando como passageiros retomarem o controle da aeronave.
Enquanto Machchhar está se recuperando em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, inclusive recebeu neste sábado (03) uma visita do vice-primeiro-ministro dos Emirados, Hamdan bin Mohammed Al Maktoum, que destacou que o comandante “mostrou o mais alto nível de coragem, responsabilidade e cuidado pela vida. Para nós, e para a liderança da nossa nação, ele tem todo o reconhecimento e elogio“.
Segundo informa a rede Al Jazeera, Al-Hammami é um cidadão de Omã, mas ainda não está claro se ele agiu sozinho ou em coordenação com algum grupo terrorista. Já a CNN informou, citando fontes israelenses, que o terrorista nasceu nos Emirados (que não concedem cidadania jus soli, ou seja, pelo simples fato de ter nascido no país), tem mãe síria e, eventualmente, eles se mudaram para Omã após viverem vários anos no país vizinho, ao qual ele retornaria muitos anos depois para ser piloto na Flydubai.
Ainda segundo a CNN, o copiloto já teria tido problemas durante o treinamento (ainda não está claro se durante a fase para obtenção das carteiras iniciais, na própria Flydubai ou em outra empresa aérea). No seu LinkedIn consta que ele voou na companhia aérea Oman Air até 2025, depois indo para a Royal Air Maroc, do Marrocos, de onde saiu no início deste ano, indo finalmente para a Flydubai.
Esta informação vai ao encontro das informações preliminares recebidas pelo AEROIN de que ele era um piloto recente na companhia aérea emiradense e que, inclusive, teve contato com alguns instrutores brasileiros durante o seu treinamento inicial na empresa.
A mudança de empresas aéreas num curto período de tempo também chama a atenção, já que, neste período, não ocorreu nenhuma crise na Oman Air ou Royal Air Maroc (RAM) que levasse a um corte de pessoal, e as movimentações do copiloto são anteriores ao início do conflito dos EUA com o Irã, que fechou o espaço aéreo e causou uma paralisação das companhias aéreas locais, incluindo a Flydubai.
Já o Wall Street Journal apontou que o próprio Omã teria impedido que ele voasse em companhias aéreas locais (no caso, a Oman Air) exatamente pelo seu comportamento favorável ao islamismo extremo. Caso isto se confirme, pode explicar o fato dele ter saído (no caso demitido/expulso) da empresa aérea de bandeira do seu país, ido voar no Marrocos e saído da RAM após ter conseguido um emprego mais próximo da sua casa, especialmente na nação que ele nasceu e passou parte da sua infanância.
A RAM comunicou em nota posteriormente que ele chegou a realizar o treinamento inicial na empresa, mas não concluiu com sucesso a parte teórica e foi desligado.
Ainda não está claro se ele apoiava algum grupo específico, como os Houthis, que atuam no Iêmen, vizinho a Omã. Hammam Al-Hammami permanece detido nos Emirados Árabes, onde a pena para atos de terrorismo que não resultem em morte é de prisão perpétua. Ele será interrogado por autoridades locais junto de oficiais israelenses.
Receba as notícias em seu celular: clique para acessar o canal AEROIN no Telegram. Conheça também nossos perfis no Instagram e no Facebook, e nosso canal no WhatsApp.