
O Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes da Coreia do Sul admitiu, pela primeira vez, uma falha crítica de segurança relacionada ao acidente fatal da Jeju Air ocorrido no Aeroporto Internacional de Muan em dezembro de 2024.
A admissão veio após uma simulação encomendada pelo governo concluir que todos os passageiros provavelmente poderiam ter sobrevivido caso as condições de segurança tivessem sido plenamente respeitadas.
De acordo com documentos divulgados pela deputada Kim Eun-hye, as simulações realizadas pela Comissão de Investigação de Acidentes de Aviação e Ferroviários indicaram que o Boeing 737 teria deslizado pela pista e parado sem danos catastróficos caso não tivesse colidido com uma elevação de concreto que sustentava o localizador do aeroporto. A aeronave realizava um pouso forçado com o trem de pouso recolhido após um impacto com aves ter danificado o sistema.
A análise mostrou que, em um terreno plano e sem obstáculos, a aeronave teria percorrido cerca de 630 metros antes de parar, sem causar ferimentos graves aos ocupantes.
Mesmo em cenários que consideravam uma estrutura de localizador projetada para se quebrar ao impacto, os danos teriam sido limitados, com um desfecho potencialmente melhor para todos. No entanto, o avião atingiu uma estrutura sólida de concreto, o que desencadeou uma explosão e incêndio que resultaram na morte de 179 das 181 pessoas a bordo.
Em uma reviravolta em relação à posição inicial do ministério, foi reconhecido que a instalação do localizador não estava em conformidade com os padrões de segurança aeroportuária.
Segundo normas estabelecidas em 2003 e vigentes desde 2010, estruturas de navegação localizadas a até 240 metros do fim da pista devem ser projetadas para se romper ao impacto e instaladas o mais baixo possível.
Apesar da modernização do localizador em 2020, a estrutura permaneceu sobre o montículo de concreto, mesmo com a exigência de revisão das medidas de frangibilidade prevista no projeto.
Logo após o acidente, o ministério havia defendido a legalidade da estrutura, alegando que a distância mínima exigida era de 150 metros. As novas descobertas contradizem essa afirmação e evidenciam uma falha na implementação das modificações de segurança durante a atualização de 2020.
Familiares das vítimas receberam a revelação com alívio, classificando o acidente como um claro caso de erro humano, e não uma fatalidade inevitável. Eles exigem um pedido oficial de desculpas, total transparência nos materiais da investigação, reformas legais para garantir a independência das apurações e uma ampla comissão parlamentar para revisar o caso.
O Partido do Poder Popular, oposição no país, pediu uma investigação criminal completa e alertou que, caso não haja responsabilização, um inquérito especial deve ser instaurado. Parlamentares também criticaram lacunas na legislação atual, destacando que estruturas de navegação aeroportuária não estão explicitamente contempladas na Lei de Punição para Acidentes Graves.
O acidente da Jeju Air, ocorrido em 29 de dezembro de 2024, permanece como um dos desastres aéreos mais mortais na Coreia do Sul nas últimas décadas. A investigação oficial sobre o caso ainda está em andamento.
