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Egito pode receber jatos KC-10 Extender que estão parados no deserto após os EUA os aposentarem

Foto: USAF/Gerald R. Willis

Os lendários trijatos de reabastecimento em voo KC-10 Extender que pertenceram à Força Aérea Americana (USAF) podem voltar a voar em breve, e desta vez num país inédito.

As aeronaves fabricadas pela Douglas a partir do DC-10 cargueiro servem para transporte estratégico e reabastecimento de aeronaves em voo e foram retiradas do serviço ativo dos EUA em 2024, sendo substituídas pelo Boeing KC-46A Pegasus (767-200ER).

Desde então, o KC-10 só é operado por forças aéreas privadas que são subcontratadas por alguns governos de países da OTAN para fornecer combustível em treinamento de maneira pontual. Já há algum tempo tem se notado um movimento na Base Aérea de Davis-Monthan, no Arizona, onde os KC-10 que eram da USAF estão em estocagem de longo prazo.

Surgiu um rumor de um comprador privado, mas agora ficou claro que o KC-10 retornará a voar para uma força aérea, só que não a americana.

Num edital de licitação publicado esta semana pelo Comando de Material da USAF, é aberto um registro de preços para identificar empresas privadas que tenham a capacidade de “executar a regeneração a partir do depósito para o serviço, incluindo um voo além do voo de entrega, para até quatro jatos KC-10 Extender que serão transferidos para um país aliado na África do Norte“.

É citado que a transferência para o país aliado será através do programa de venda de produtos militares (FMS) que fazem parte do contingente de excesso do Pentágono.

O nome do país não é revelado, mas os EUA só possuem dois grandes aliados no norte da África: Egito e Marrocos. Este último já tem aviões de reabastecimento KC-130H Hércules em operação e provavelmente se beneficiará do KC-390 da Embraer nesta função caso a compra seja concluída.

Porém, os seus caças F-16, tanto os atuais F-16C/D como os novos F-16V Viper que estão prestes a ser entregues, não conseguem ser reabastecidos pelo KC-130, por este, assim como o KC-390, usar o sistema de mangueira e cesto, e não de lança e receptáculo, como é o caso do KC-10.

Por outro lado, o Egito não conta com nenhuma aeronave de reabastecimento em voo e recentemente fez um treinamento com a China, no qual caças Dassault Rafale e MiG-29 Fulcrum foram reabastecidos por um avião chinês Y-20, o que pode ter feito o governo americano se movimentar mais rápido para manter o aliado mais próximo.

O KC-10 seria capaz de reabastecer estes caças franceses e russos citados, além de uma centena de Mirage 5 e 2000 e das duas centenas de caças F-16A/B/C/D Fighting Falcon que operam na Força Aérea do Egito atualmente, que é inclusive a força aérea mais poderosa da África.

Desta maneira, os rumores no Pentágono apontam que o Egito seria o cliente final desses KC-10. Curiosamente, nenhuma companhia aérea egípcia operou o DC-10 nem o seu sucessor direto, o MD-11.

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