
A Força Aérea do Chile (FACH) reafirmou a intenção de ter um caça de 5ª geração em sua frota em breve, num movimento que pode tirar o trono do Gripen da FAB como caça mais avançado da região.
Hoje com uma frota de caças F-16 Fighting Falcon modernizados para os padrões MLU e Block 50, a FACH foi por anos a mais poderosa força aérea na região em termos de aviões de caça, superando a capacidade de combate além do alcance visual (BVR) do Brasil e da Venezuela.
Porém a situação mudou com a chegada dos caças suecos Saab JAS-39E/F Gripen NG à Força Aérea Brasileira, que se tornou a primeira usuária nas Américas do míssil Meteor, que tem um alcance e uma capacidade superiores aos dos AIM-120 usados hoje pela FACH e por boa parte dos caças de origem americana.
Logo após, a Argentina incorporou os caças F-16AM/BM usados, também trazendo a capacidade do AIM-120 para a sua casa, o que foi seguido pelo Peru com o F-16V Viper, além da Colômbia seguindo a FAB e optando pelo Gripen.
Desta maneira, o Chile passou de ter o caça mais capaz da região para a quarta ou quinta posição, apesar de ter apenas caças não ser sinônimo de maior poder aéreo, porém nesse aspecto o país também conta com vários equipamentos de alerta aéreo antecipado, jatos espiões e uma frota ativa de número maior que qualquer outro país.
Ainda assim a FACH quer manter a vanguarda na região, e tem sentido o fator idade nos seus F-5E Tiger III. Isto foi reforçado neste final de semana, durante a troca de comando da força, com a saída do general do ar Hugo Rodríguez González e a entrada do general do ar Leonardo Romanini Gutiérrez, em cerimônia que contou com a presença do presidente chileno José Antonio Kast e do ministro da Defesa, Fernand Barros.
O general de saída afirmou que “a preparação para a incorporação de uma aeronave de 5ª geração será exigente, irá requerer educação, infraestrutura, integração digital e treinamento, são processos de longo prazo, que devem seguir sem interrupções diante da orientação do nosso plano de desenvolvimento“, como reporta o portal Defensa.com.
Esta é a segunda declaração em poucos meses de um alto oficial da FACH sobre caças de 5ª geração, ficando subentendido nos bastidores que será o F-35A Lightning II, da americana Lockheed Martin, a escolha inicial, ainda que um processo oficial de compra não tenha sido iniciado.
Hoje o Chile conta com 13 caças Northrop F-5E/F Tiger III, todos baseados em Punta Arenas, no sul do país ao lado da fronteira com a Argentina, além de 46 caças F-16A/B/C/D em bases na região norte do país, visando à defesa do Deserto do Atacama e ao reforço na fronteira com a Bolívia e o Peru.
A prioridade para substituição é dos caças Tiger e dos F-16 de geração mais antiga, da variante MLU, comprados de segunda mão dos Países Baixos. Caso a compra avance e a FACH escolha o F-35, o Chile se tornará o primeiro país latino-americano a ser equipado com um caça furtivo, deixando o Brasil como segunda maior potência no que se refere às capacidades de caças.
Uma outra opção seria a incorporação da versão F-16V, a mais avançada do Viper, porém a FACH não estaria considerando um salto em relação ao Block 50 atual operado pelo país, mas não descarta um complemento destes caças aos futuros aviões furtivos.