Embraer 170 e jato executivo perdem separação ao se cruzarem a 28 mil pés

Embraer E170 da HOP!, semelhante ao envolvido – Imagem: Gyrostat / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O Escritório de Investigações e Análises de Segurança da Aviação Civil (BEA – Bureau d’enquêtes et d’analyses pour la sécurité de l’aviation civile), autoridade que investiga acidentes e incidentes aeronáuticos na França, informa nesta quinta-feira que está com um processo aberto a respeito de um incidente registrado na quarta-feira da semana passada, dia 12 de janeiro, envolvendo um avião comercial e um executivo.

Segundo o comunicado, as aeronaves em questão são o Cessna Citation 525 registrado sob a matrícula F-HGPG, fazendo um voo de transporte não regular do aeroporto Paris le Bourget, na França, para o aeroporto Geneva Cointrin, na Suíça, e o Embraer E170 de matrícula F-HBXG, da companhia aérea Hop!, em um voo regular de transporte comercial do aeroporto de Lyon Saint Exupéry para o de Caen Carpiquet, ambos na França.

Na descrição do incidente, o BEA informa que o Cessna Citation estava passando o FL230 (nível de voo de 23 mil pés, ou 7.000 metros de altitude) durante a subida em piloto automático quando, repentinamente, sofreu um fator de carga e um aumento na atitude do nariz para cima.

Embora seus pilotos tenham recebido liberação do controle de tráfego aéreo (ATC) para manter o FL270 (cerca de 8.200 metros) como altitude de cruzeiro, com o problema da alteração na subida o jato executivo passou desse nível e cruzou em altitude errada com o Embraer E170 que estava em cruzeiro no FL280 (8.500 metros).

A tripulação do Cessna relatou uma falha no sistema na indicação de altitude e na indicação do equipamento nº 1 de velocidade e, portanto, um sinal de altitude errôneo foi transmitido pelo transponder como se estivesse a 27.000 pés.

O Cessna passando ao lado do E170, e a altitude de 27 mil pés emitida erroneamente pelo transponder – Imagem: FlightRadar24
O Embraer 170 a 28 mil pés ao lado do Cessna – Imagem: FlightRadar24

Com a emissão errada da altitude, não houve alarmes ACAS (Airborne Collision Avoidance System) acionados nos equipamentos dos aviões para indicar o risco de colisão, fazendo com que ambos se cruzassem com menor separação do que o limite de segurança permitido.

Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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