Embraer perde para a Airbus uma grande encomenda na Austrália

Fotomontagem por LIAM Aviation Edits via Instagram

Na manhã desta segunda-feira, a australiana Qantas, uma das empresas aéreas de vanguarda do mundo, anunciou uma mega encomenda com a Airbus para até 146 jatos (incluindo pedidos firmes e opções de compra), que definirão sua frota nos próximos 20 anos. Com isso, restam perdedores do multibilionário pedido a Boeing e a Embraer.

Pelas características do negócio, onde a Airbus emplaca um pacote de várias categorias de aeronaves, fica evidente como a padronização é importante para as empresas tradicionais e como a ausência de uma oferta mais abrangente pode fazer falta para as fabricantes – a Boeing não tem um jato regional, enquanto a Embraer não tem aviões maiores.

Para citar como exemplo, duas outras empresas aéreas que seguiram na mesma direção da Qantas foram a Delta Air Lines, Air France e JetBlue, também tradicionais no mercado da aviação mundial

De toda maneira, este não seria o final da linha para o potencial de negócios da Embraer junto à Qantas, uma vez que a empresa ainda possui linhas regionais de menor densidade, onde está usando justamente jatos Embraer E190 alugados e mais 19 Fokker 100, que terão que ser substituídos. Então, apesar de não ser parte do grande pacote do dia, a fabricante brasileira ainda teria uma chance de emplacar suas aeronaves menores, como o E190 E2.

O projeto

Há alguns anos, a Qantas lançou o Projeto Winton, que tem por objetivo substituir todos os seus Boeing 737 e 717, na medida em que envelhecem. O nome da iniciativa foi inspirado no local de nascimento da Qantas, no interior de Queensland, já que a decisão era considerada fundamental para o futuro de suas nossas operações domésticas.

Quando o projeto foi criado, a Qantas tinha 75 Boeing 737-800 de 174 lugares, e 20 717 de 100-125 lugares. Na concorrência pelo grande negócio estavam o Boeing 737 MAX, o Airbus A320neo, na categoria de maior capacidade, e o Airbus A220 e Embraer E-195 E2 na categoria dos jatos regionais.

A decisão da Qantas

O interessante da decisão da empresa de bandeira australiana está nas entrelinhas, uma vez que sua encomenda engloba pedidos firmes para 20 Airbus A220-300, ou seja, a mesma quantidade de jatos Boeing 717 que a empresa ainda possui, mas também um total de 94 opções de compra (isto é, pedidos que podem ou não vingar no futuro), que podem ser intercambiados entre as famílias A220 e A320neo da fabricante europeia. Tal modelo de negócio seria praticamente impossível para Boeing ou Embraer, que têm ofertas limitadas.

O CEO do Grupo Qantas, Alan Joyce, disse: “Os A320 e A220 se tornarão a espinha dorsal de nossa frota doméstica nos próximos 20 anos, ajudando a manter este país em movimento. Seu alcance e economia possibilitarão novas rotas diretas, inclusive atendendo melhor as cidades regionais.

A aeronave

O A220-300 é maior do que os 717 e será configurado para acomodar 137 pessoas (10 na Executiva, 127 na Econômica) – um aumento de 25% sem redução no espaço entre os assentos. Tem quase o dobro do alcance em mais de 6.000 quilômetros, o que significa que pode voar entre qualquer cidade da Austrália.

As aeronaves serão equipadas com motores Pratt & Whitney Geared Turbo Fan (PW1100G-JM e PW1500G) e os níveis de ruído são até 50% mais baixos do que os da aeronave em retirada. Por assento, o A220-300 consome 28% menos combustível por passageiro do que o 717.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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