Empresa propõe sistema que reboca aviões até a pista usando trilhos no subsolo

A aviação contribui com cerca de 2% das emissões globais de gases de efeito estufa – uma porcentagem que o Air Transport Action Group prevê que aumentará sem uma mudança para combustível sustentável (SAF). No entanto, para a empresa, os combustíveis sustentáveis ​​não são a única maneira de atacar o uso de combustível da aviação e as emissões.

Um novo sistema da Aircraft Towing Systems World Wide (ATS) aborda o problema sob uma outra perspectiva. A empresa, com sede em Oklahoma, desenvolveu um conceito que usa guinchos elétricos que percorrem trilhos abaixo do nível do solo em pátios de aeroportos e pistas de taxiamento para puxar aviões de e para o terminal. A ATS está testando um protótipo no Ardmore Industrial Airpark em Oklahoma desde o meio do ano.

De acordo com Vince Howie, a inovação ATS traz um potencial para economia ambiental e cumprimento dos limites de emissões futuras. O projeto também chega na hora certa. A Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) já divulgou metas para taxiamento sem motor até 2050. Eventualmente, a Administração Federal de Aviação (FAA) também o fará.

Grande economia

Considere que as aeronaves Boeing 737 e Airbus A320 representam cerca de 80% da frota da aviação comercial e queimam cerca de 9 galões de combustível por minuto durante o táxi, com um tempo médio de táxi de 16 a 27 minutos. Acrescente a isso, quando operando em capacidade normal, um grande aeroporto comercial médio poderia ver esse movimento 800.000 a 900.000 vezes por ano.

“Se uma aeronave usa 9 galões de combustível por minuto durante 16 minutos, 800.000 vezes por ano, e o combustível custa de US$ 2 a US$ 3 o galão, você está falando de dinheiro de verdade”, diz Howie. “A economia que nosso sistema vai oferecer é enorme.” 

Ele acrescenta que o sistema não apenas economiza combustível, mas também reduz as emissões. Os pilotos podem desligar os motores enquanto os reboques elétricos puxam a aeronave.

“Você corta as emissões em até 80% ao desligar os motores principais”, diz ele. “O APU é a única coisa que permanece funcionando para alimentar o ar condicionado e fornecer energia para a tripulação e os passageiros.”

Desligar os motores também reduz o ruído. “A redução de ruído é imediata e tremenda quando você desliga os motores”, acrescenta Howie. “Nosso sistema também reduz as colisões porque seguimos uma trilha conforme movemos as aeronaves para o terminal.”

O sistema ATS também reduz os intervalos de manutenção do motor porque os pilotos desligam os motores das aeronaves em solo. “Isso proporciona uma economia progressiva”, diz ele. 

Construindo um Protótipo

O COVID-19 ocorreu quando a ATS começou a trabalhar em seu protótipo. A situação atrasou o projeto por quase um ano, mas a ATS finalmente o inaugurou em 14 de janeiro de 2021 dando início à construção da área de testes no Ardmore Industrial Airpark. 

O design modular do sistema permitiu que as equipes de construção instalassem seções pré-fabricadas. As seções instaladas tornam-se operacionais imediatamente.

Depois de concluído, o ATS usará um carrinho de tração subterrâneo movido a eletricidade e uma plataforma de reboque acima do solo para percorrer o canal em forma de U para mover aeronaves de e para as pistas e portões do aeroporto sem depender de motores de aeronaves. Um motor elétrico Borg Warner de 400 cavalos, usado em carros elétricos, aciona o carrinho de tração e o carrinho de reboque. 

A ATS comprou um 727 para demonstrar sua inovação em reboque.

Como funciona o sistema ATS

Howie descreve o sistema ATS como um sistema ferroviário moderno para aeronaves. O carrinho de tração fica em um monotrilho no fundo do canal, que está no subsolo. Dois conjuntos de motores hidráulicos, um na frente e outro atrás, movem o carrinho. 

Ao pousar uma aeronave, os pilotos taxiam até a pista de taxiamento e dirigem a roda do nariz da aeronave para o reboque ATS, que se parece com um disco redondo com rampas em cada extremidade. Isso fixa a aeronave no lugar.

“Quando isso acontece, os pilotos desligam os motores principais e o reboque faz o trabalho”, diz Howie. “Um carrinho de reboque redondo não pressiona o trem de pouso do nariz. Existe um controle positivo da aeronave. O sistema pode puxar ou empurrar a aeronave em diferentes direções, mas o piloto mantém o controle”. O sistema funciona com trinta centímetros de neve ou uma polegada de gelo.

Ao projetar um sistema para taxiamento e pushbacks, explica Howie, a ATS expandiu o alcance do produto.

Tínhamos como alvo 34 aeroportos nos Estados Unidos para o sistema total; centros como Dallas ou O’Hare e lugares como esse”, diz ele. “Mas tivemos 22 aeroportos menores dizendo que precisavam de um sistema de pushback elétrico, então desenvolvemos um trilho em curva que nos permite trazer uma aeronave e virá-la conforme a empurramos de volta. Cerca de 200 aeroportos dos EUA poderiam se beneficiar do sistema de pushback”.

O sistema usa veículos capazes de lidar com jatos de tamanho regional até um A380. O futuro (e as encomendas) dirão se o sistema a ATS será parte da tendência de descarbonização.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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