Ex-executivo da Itapemirim diz à Veja que saiu da empresa porque dinheiro nunca entrou

A saída do ex-CEO Tiago Senna da Itapemirim Transportes Aéreos (ITA) e Vice-Presidente do Grupo, pouco antes da empresa aérea suspender atividades foi, para muitos, uma grande surpresa. Senna foi responsável por liderar o processo de certificação da empresa aérea.

Senna é um executivo conhecido no meio aéreo, com vasta experiência que inclui Rio Sul e Varig, e era um dos nomes “fortes” do corpo administrativo e técnico da empresa no momento em que a empresa buscava sua certificação junto à ANAC.

Após a obtenção do COA, Senna seguiu por mais algumas semanas à frente da empresa aérea, antes de se realocar para outros projetos dentro do grupo, passando o bastão de CEO para Adalberto Bogsan.

Meses depois, em novembro, Senna se desligou de vez do grupo rodoaéreo, citando motivos de “foro íntimo”, enquanto agradeceu e foi saudado publicamente nas redes sociais por outros executivos e funcionários da Itapemirim. No entanto, em declaração à revista Veja, o ex-CEO da empresa aérea deu um tom novo à conversa.

À jornalista Josette Goulart, Senna contou que saiu da empresa pelo fato de não terem entrado os investidores prometidos por Sidnei Piva (presidente do Grupo), sobretudo o fundo árabe que tinha sido anunciado em 2020 durante visita aos Emirados Árabes Unidos.

Esse dinheiro acabou nunca chegando na companhia, e nem o nome real dos investidores ou do fundo fora revelado, gerando desconfiança do mercado, antes mesmo do primeiro voo da ITA, sobre a capacidade da empresa permanecer operando.

De fato, nos meses que se sucederam, tornou-se conhecido que a Itapemirim Transportes Aéreos (ITA) estava se financiando com recursos advindos de outras empresas do grupo, inclusive de ativos vendidos no processo de recuperação judicial.

Finalmente, à coluna Radar Econômico da Veja, Senna disse que a saída definitiva do Grupo Itapemirim se deu por que “os novos negócios não estavam alinhados com seus princípios”, sem detalhar quais seriam as novas propostas e o código pessoal.

A ITA segue ainda com operações suspensas, grandes multas, sem previsão real de retorno, e sem nenhum investidor ainda divulgado.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias