Exército Brasileiro participa de operação conjunta com emprego de meios antiaéreos e tropas aeroterrestres

Imagem: Exército Brasileiro

O Exército Brasileiro esteve presente no Exercício Escudo-Tínia, atividade conjunta que reuniu as três Forças Armadas em um contexto de defesa aeroespacial de pontos críticos.

O adestramento ocorreu na cidade goiana de Anápolis e localidades próximas, proporcionando a verificação do grau de interoperabilidade do Exército Brasileiro com a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Marinha do Brasil. Nesse sentido, a coordenação conjunta das ações contribuiu para o aprimoramento da operacionalidade e da prontidão em prol da proteção do País.

Foi a primeira vez que esse treinamento foi realizado na região Centro-Oeste. Diferentes capacidades militares do Exército foram adestradas durante a atividade, que teve início no dia 11 de maio e foi concluída em 29 do mesmo mês.

Uma delas, com ênfase especial durante a Escudo-Tínia, foi a defesa antiaérea. O Comando de Defesa Antiaérea do Exército (Cmdo DAAe Ex) foi responsável por prover a proteção de estruturas críticas de interesse estratégico e tropas no terreno contra vetores aéreos hostis.

Por intermédio do comando e controle de suas unidades subordinadas, esse Grande Comando realizou a defesa antiaérea do aeródromo e da estação de tratamento na região de Itaberaí (GO), entre outros pontos sensíveis em um cenário de conflito armado.

A participação da tropa antiaérea começou com os deslocamentos terrestres de meios e pessoal para a concentração estratégica na área de operações. Ao todo, foram percorridos cerca de 4.100 km, somando os trajetos realizados pelos efetivos de seis Organizações Militares, oriundos das guarnições de Brasília (DF), Guarujá (SP), Jundiaí (SP), Osasco (SP) e Sete Lagoas (MG), quais sejam: o 4º, 11º e 12º Grupos de Artilharia Antiaérea, o Batalhão de Manutenção de Suprimento de Artilharia Antiaérea, a Companhia de Comunicações de Defesa Antiaérea e a Bateria de Comando do Cmdo DAAe Ex.

Sinergia entre as Forças – A atividade foi um exercício de dupla ação. Diversas aeronaves da FAB, como o A-29, o KC-390 e, pela primeira vez, o F-39 Gripen, realizaram incursões sobre pontos sensíveis defendidos por Unidades de Tiro, que executaram a neutralização das ameaças com o emprego do míssil RBS-70.

O Centro de Operações Antiaéreas do Cmdo DAAe Ex, em funcionamento na Base Aérea de Anápolis, coordenou a atuação de radares e das tropas desdobradas no terreno para o engajamento de vetores hostis. Por sua vez, a Marinha participou do adestramento do sistema antiaéreo por intermédio do Batalhão de Controle Aerotático e Defesa Antiaérea, além de meios especializados da Armada e do Corpo de Fuzileiros Navais.

O Comandante de Defesa Antiaérea, General de Brigada Marcus Cesar Oliveira de Assis, ressaltou a importância do exercício conjunto em um cenário de operações de guerra, destacando o aspecto da interoperabilidade.

Trabalhar com a FAB e com a Marinha do Brasil tem sido de grande valia, principalmente na coordenação do espaço aéreo. Nessas incursões, além da parte de proteção aeroespacial, também participamos das infiltrações aéreas, lançamentos de paraquedistas e reconhecimentos aéreos. Tudo isso foi colocado como objetivo de adestramento, e o ganho realmente foi imenso”, enfatizou.

Durante o Exercício Escudo-Tínia, o Centro de Avaliações do Exército e o Centro Tecnológico do Exército realizaram a avaliação operacional do Radar M200 Vigilante. O equipamento tem potencial para detectar aeronaves a até 200 km de distância, possui rápida entrada em funcionamento e pode ser transportado em viatura sobre rodas ou em aeronaves como o KC-390.

No âmbito do exercício, também ocorreu a inédita integração desse equipamento com o Comando do 12º Grupo de Artilharia Antiaérea. Desse modo, foi incrementada a eficiência de detecção do subsistema de controle e alerta da Artilharia Antiaérea nas operações militares.

Adestramento da tropa aeroterrestre – Outro objetivo do exercício foi o aperfeiçoamento das capacidades da tropa paraquedista no contexto de missões aéreas compostas. Nos primeiros dias da operação, militares do Batalhão de Precursores executaram o Guiamento Aéreo Avançado, enquanto efetivos do Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (DOMPSA) realizaram o lançamento de cargas.

No dia 20 de maio, foi realizado o salto livre operacional, com paraquedistas das três Forças saltando simultaneamente de uma aeronave KC-390: do Batalhão de Precursores, pelo Exército; dos Comandos Anfíbios e do Grupamento de Mergulhadores de Combate, pela Marinha; e do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR), pela FAB. Os militares realizaram infiltração aeroterrestre, saltando a 12 mil pés de altitude, em preparação para o salto em voo de alta altitude (HAHO), a cerca de 18 mil pés.

O coroamento da participação da tropa paraquedista na Escudo-Tínia ocorreu entre os dias 25 e 27 de maio, com militares da Força-Tarefa Afonsos (FT Afonsos) realizando o assalto aeroterrestre em zonas de lançamento nas cidades de Itaberaí e Goiás, em uma atividade conhecida como “chuva de velame”.

O Comandante da Brigada de Infantaria Paraquedista, General de Divisão Ricardo Moussallem, salientou a relevância da alta disponibilidade de aeronaves para a capacitação da tropa aeroterrestre nessa operação.

Foi uma oportunidade ímpar para treinarmos nossos efetivos, com o adestramento de diversas capacidades. Vários meios aéreos foram colocados à disposição, dentro de um contexto tático bastante complexo, que atendeu muito ao nosso objetivo. Adestramos a infiltração a grande altitude, o lançamento de cargas e empregamos uma FT paraquedista que integra nossa Força de Prontidão. A operação agregou muito e permitiu operar com as outras Forças Armadas”, destacou.

Prontidão e operacionalidade – Também no dia 20 de maio, ocorreu a visita operacional de comitiva do Ministério da Defesa à área de coordenação da manobra, em Anápolis. Na ocasião, o Vice-Chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Brigadeiro Ramiro Kirsch Pinheiro, destacou a importância da participação das três Forças Singulares na atividade.

O exercício foi extremamente importante para estabelecer a interoperabilidade entre o meio aéreo e as estruturas de defesa antiaérea. As três Forças agindo juntas, de maneira coordenada, mostraram uma forma eficaz e eficiente para o cumprimento de nossas missões”, comentou.

O Exercício Escudo-Tínia foi encerrado em 29 de maio, consolidando a integração entre as tropas, a prontidão estratégica e a defesa eficaz do território nacional. A participação no adestramento fortaleceu a capacidade de resposta rápida em crises, otimizou recursos e consolidou a doutrina militar conjunta, permitindo maior compatibilidade entre sistemas, equipamentos e procedimentos, o que aumentou a eficiência em operações reais.

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Com uma paixão pelo mundo aeronáutico, especialmente pela aviação militar, atua no ramo da fotografia profissional há 8 anos. Realizou diversos trabalhos para as Forças Armadas e na cobertura de eventos aéreos, contribuindo para a documentação e promoção desse campo.

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