
O homem que ficou famoso na internet após ser imobilizado com fita adesiva em um assento da primeira classe de um voo da American Airlines entre Dallas-Fort Worth e Newark, no mês passado, foi formalmente acusado pela Justiça federal dos Estados Unidos de interferir no trabalho da tripulação. As acusações podem resultar em uma pena de até 20 anos de prisão, além de multa de até US$ 250 mil.
O acusado foi identificado como Layne Lundeen, de 67 anos, corretor de imóveis de Tucson, no Arizona. Segundo as acusações, ele teve um acesso de raiva cerca de uma hora antes do pouso em Newark, quando teria agarrado um passageiro pelo pescoço e dirigido insultos racistas e homofóbicos às pessoas ao seu redor.
Comissários de bordo e outros passageiros intervieram para conter Lundeen. Para imobilizá-lo, eles utilizaram uma grande quantidade de fita adesiva, prendendo seu corpo, os ombros, a cabeça e até mesmo o rosto ao assento da primeira classe.
Durante a tentativa de contenção, Lundeen teria mordido uma pessoa com tanta força que deixou marcas dos dentes. Outros passageiros ficaram cobertos de sangue em decorrência de ferimentos que, aparentemente, ele provocou. Diante da situação, os pilotos decidiram desviar o voo para Baltimore, onde o homem foi detido pelas autoridades.
Lundeen agora foi acusado em um tribunal federal de Maryland de interferência com membros da tripulação e agressão física, incluindo golpes e ferimentos, conforme informou a Justiça dos EUA.
A denúncia apresentada à Justiça afirma que o comportamento do passageiro prejudicou a capacidade dos comissários de bordo de exercer suas funções. Entre as condutas apontadas estão o contato físico com integrantes da tripulação, o descumprimento de instruções, o uso de linguagem agressiva e abusiva, incluindo insultos racistas, e atitudes hostis contra funcionários e outros passageiros.
Lundeen foi liberado sob fiança enquanto aguarda o julgamento ou a possibilidade de um acordo judicial.
A American Airlines está entre as poucas companhias aéreas dos Estados Unidos que permitem explicitamente o uso de fita adesiva para imobilizar fisicamente passageiros em situações extremas. O material é levado a bordo com essa finalidade, acompanhado de um cortador de segurança, que permite retirar a fita rapidamente caso seja necessário liberar a pessoa imobilizada.
Outras empresas, como United Airlines e Southwest Airlines, proibiram expressamente seus comissários de utilizar esse recurso. Em 2021, a United enviou um lembrete às equipes de bordo sobre a restrição, após uma sequência de casos envolvendo passageiros imobilizados com fita adesiva em diferentes companhias aéreas. Um dos episódios envolveu um menino de 13 anos que foi preso ao assento depois de atacar a própria mãe.
A Frontier Airlines também enfrentou questionamentos naquele ano após integrantes da tripulação utilizarem fita adesiva para conter um passageiro acusado de assediar sexualmente uma comissária de bordo. Os funcionários envolvidos chegaram a ser suspensos por não seguirem os procedimentos de contenção estabelecidos pela empresa. Posteriormente, porém, a companhia recuou da decisão após pressão do sindicato dos comissários.
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