Google desmente mídia e diz que não mudou mapas para divulgar bases aéreas russas

Diversas mídias mundo afora, incluindo o UOL, no Brasil, informaram que o Google havia “liberado” imagens em alta resolução das principais infraestruturas militares da Rússia em seu serviço Google Maps, incluindo bases aéreas, supostamente removendo um efeito de desfoque de imagem. A gigante da tecnologia, no entanto desmentiu que tenha feito qualquer alteração em seu software.

Para algumas regiões sensíveis do mundo, o Google realmente borra seus mapas. Por exemplo, o Google Maps pixeliza as imagens da base aérea 705 da Força Aérea Francesa e desfoca completamente a cidade de Jerusalem. No entanto, há muitas outras instalações militares que podem ser vistas publicamente, como a Base Aérea de Nellis nos EUA e até mesmo a infame Área 51.

Para os locais russos citados nas matérias da segunda-feira, no entanto, o Google não teria retirado qualquer filtro. Segundo relatam a revista americana Newsweek, a agência estatal russa TASS e outros noticiários do mundo, Google negou que tenha mudado algo em seu serviço de mapas para passar a divulgar os locais militares e estratégicos da Rússia.

“Não fizemos nenhuma mudança em relação ao desfoque em nossas imagens de satélite na Rússia”, disse Genevieve Park, porta-voz do Google após um pedido de comentário das mídias internacionais.

Como o rumor começou

Tudo começou depois que uma conta no Twitter, atribuída às Forças Armadas da Ucrânia, publicou um conjunto de imagens e um texto, em que dizia que o Google havia removido um filtro que desfocava as imagens de instalações militares russas, como se fosse uma retaliação da gigante tecnológica pela invasão da Ucrânia.

Rapidamente, a informação começou a ser repercutida em diversas mídias, dizendo que estariam disponíveis imagens de alta resolução da principal infraestrutura militar da Rússia, incluindo o cruzador Almirante Kuznetsov, um depósito de munições nucleares, um campo de voos de teste com os mais recentes caças, os Su-57, um local de lançamento de ICBM e um base da Força Aérea.

Veja o tuíte original, abaixo:

De fato, podem existir áreas pixeladas ou borradas, mas o Google afirma que isso nada tem a ver com a guerra na Ucrânia e sim com questões sensíveis e de defesa de países. No entanto, e a despeito de ter restringido suas operações na Rússia em razão da guerra, a gigante da tecnologia foi categórica em dizer que não mudou nada em seu aplicativo de mapas.

Algumas medidas que o Google tomou contra a Rússia desde o início da guerra, e que anunciou publicamente, foram: a interrupção da venda de anúncios no país, o corte do acesso ao Google Pay para alguns usuários russos de acordo com sanções e a proibição de contas de mídia estatal russa de exibir anúncios em seus canais do YouTube. Por seu lado, o governo russo ameaçou multar a empresa porque diz que o YouTube tem vídeos contendo “desinformação” sobre sua invasão.

De qualquer forma, as imagens do Google Maps pouco acrescentariam ao cenário da inteligência dos países, já que é certo que Estados Unidos, China e demais grandes potências, já possuem satélites monitorando praticamente todo o mundo.

Na guerra, a armadilha mais fácil para o jornalismo são as fake news. Mesmo aqueles veículos com histórico de checagem dos fatos não estão ilesos.

Trecho da matéria do UOL em que diz que o Google retirou a “borragem”
Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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