Governo sul-africano quer tirar a SAA do atoleiro esse mês, mas nem todos creem

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O governo sul-africano espera que a South African Airways saia do processo de administração (espécie de recuperação judicial) no final de fevereiro e poderia decidir sobre um parceiro estratégico que invista dinheiro na empresa até o final de março, reportou a Reuters.

O Departamento de Empresas Públicas da África do Sul (DPE) disse em reunião na semana passada que embora um plano para a SAA retomar as operações ainda não tenha sido finalizado, a ajuda estatal pode agora fluir para a companhia aérea depois que o presidente Cyril Ramaphosa, em 20 de janeiro, assinou um Projeto de Lei de Liberação de Recursos do Tesouro Nacional. Até agora, US$ 233,9 milhões foram disponibilizados, dos quais US$ 187,1 milhões foram transferidos para a companhia aérea. 

A ajuda, por enquanto, é insuficiente. Calcula-se que precisaria de um total de US$ 700 milhões para se manter por três anos, antes de começar a ter algum lucro.

O plano

Uma vez que um plano de retomada para o SAA tenha sido acordado, ele será comunicado a todas as partes interessadas. O foco inicial será permitir que a subsidiária de baixo custo da SAA, Mango Airlines, retenha sua participação no mercado doméstico e regional, para a SAA se concentrar nas oportunidades de carga, enquanto as fronteiras estrangeiras estão fechadas por causa da Covid.

O DPE e o Rand Merchant Bank, que está lhe assessorando, produziram uma lista de mais de 30 propostas de investimento de capital no Grupo SAA. A lista foi apresentada ao Conselho da SAA para consideração e uma decisão seria tomada antes do final de março de 2021.

Por outro lado, um total de 3.163 pedidos de demissão voluntária no valor US$ 187,1 milhões foram processados. A primeira parcela será paga ao pessoal em 12 de fevereiro, com uma segunda para 19 de fevereiro. Enquanto isso, a frota da empresa ficou com apenas um punhado de aeronaves.

Nem todos creem

As brigas políticas e sociais envolvidas na recuperação da SAA prosseguem, já que uma grande parcela da sociedade não aceita que o governo use dinheiro público para salvar a empresa aérea, que é usada por apenas uma pequena parcela da população.

No lado econômico da coisa, nem todos estão acreditando no plano de salvação. A Organisation Undoing Tax Abuse (OUTA), uma organização que fiscaliza o uso de recursos por parte do governo, acredita que o plano está fadado ao fracasso, segundo uma matéria do site My Broad Band.

O Conselheiro de Transporte da OUTA Joachim Vermooten afirmou que o plano é fundamentalmente falho.

“O plano é ambicioso demais, baseado em previsões irrealistas, não leva em consideração as condições deprimentes do mercado alimentadas pela pandemia e, de acordo com o Ministro das Empresas Públicas, é apenas parcialmente financiado”, disse Vermooten.

Por que SAA irá falhar

A OUTA diz que a alocação de recursos para reiniciar as operações SAA não é suficiente para tornar a empresa saudável.

“O plano é insuficiente devido à necessidade de refazer a frota e reconstruir a confiança do cliente e do fornecedor no que se tornou um mercado ainda mais cruel, que requer bolsos profundos, agilidade, destreza e produtividade otimizada”, disse o executivo da OUTA, Julius Kleynhans.

A OUTA disse que o plano era deficiente porque não levava em consideração:

– Salários dos funcionários que aceitaram os pacotes de demissão voluntária (VSP).

– Remuneração do pessoal que ficaria na SAA, para o seu novo arranque.

– Custos e perdas em andamento, enquanto a SAA não está operando.

– Financiamento das perdas esperadas nos primeiros três anos da SAA.

– Qualquer provisão para programas de fidelidade da SAA.

Além disso, o plano é considerado muito otimista pela OUTA em suas premissas sobre volumes de tráfego, tarifas médias e fidelidade dos passageiros.

“Nenhuma demonstração financeira anual auditada foi publicada desde 2017. Nenhuma atualização foi fornecida sobre o nível atual de perdas incorridas pela SAA ou sobre suas necessidades reais de financiamento”, afirmou a organização. “O governo deve fechá-la e evitar o desperdício de impostos em nosso país”, afirmou.

Pelos cálculos da OUTA, a liquidação custaria “vários milhões” menos do que o plano de resgate da empresa.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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