
O helicóptero da TV Globo, popularmente conhecido como Globocop, acabou sendo impedido de realizar filmagens aéreas numa data histórica da aviação brasileira ontem para evitar uma situação perigosa.
A aeronave R44 de matrícula PR-HLN, operada pela HeliNews, estava realizando ontem, 31 de outubro, um sobrevoo próximo ao Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, quando o piloto solicitou cruzamento da pista e permanência no setor sudoeste, próximo ao local da queda do voo 402 da TAM.
Este acidente, que completou ontem 30 anos, sendo o acidente mais letal envolvendo uma aeronave holandesa Fokker 100, foi causado por um acionamento indevido dos reversores após a decolagem no Aeroporto de Congonhas, com a aeronave caindo no bairro do Jabaquara, matando todos os 96 ocupantes e três pessoas em solo.
No caso do sobrevoo do Globocop, o controlador informou “negativo sobrevoo na cabeceira 35“, e o piloto do helicóptero disse que não seria na cabeceira, e sim “um pouco afastado“, com o controlador novamente informando que “atrapalha as decolagens com curva à direita“, com o piloto novamente insistindo e dizendo que “mas foi o que eu pedi, condicionado ao seu tráfego“, sendo novamente impedido pelo controlador, que diz “sim, então, é negativo“. Toda a conversa foi gravada pelo canal Golf Oscar Romeo, que mantém uma câmera 24 horas por dia, 7 dias por semana, mostrando a movimentação de aeronaves em Congonhas:
A presença de uma aeronave próxima à cabeceira, por mais que seja coordenada com o controle de tráfego aéreo, força que o fluxo atual de aviões para pouso e decolagem seja refeito, o que é especialmente crítico no Aeroporto de Congonhas, que tem limitações de operações por slot exatamente pela alta demanda de voos no local.
Vale destacar também que, dado o fato de o acidente ter ocorrido 30 anos atrás, não existe nenhum dano visível hoje nas residências e ruas do bairro do Jabaquara que permita identificar o local da queda na rua Luís Orsini de Castro. Os pontos de impacto da aeronave e de localização dos destroços são conhecidos apenas pelos moradores mais antigos, pelas forças de resgate, pelos investigadores e por meio do conteúdo produzido pela imprensa na época.
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