IATA critica Airbus por usar sua força no mercado para pressionar a Qatar Airways

A350-900 da Qatar Airways

O chefe da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), órgão que representa a maioria das companhias aéreas do mundo, deu sua opinião e se mostrou surpreso sobre a disputa entre Airbus e Qatar Airways nesta semana, que resultou em uma revogação de um grande pedido de aeronaves.

Willie Walsh, diretor da IATA, alertou que “os fabricantes não devem tirar proveito de sua posição no mercado”, referindo-se à decisão da Airbus de rescindir um pedido da Qatar Airways no quadro da crescente disputa entre o fabricante e a companhia aérea. O gestor destacou que a decisão do gigante europeu é “sem precedentes e preocupante”.

O Qatar processou a Airbus em mais de US$ 600 milhões em indenização por problemas de pintura nos aviões A350. A companhia aérea suspendeu cerca de metade de sua frota e suspendeu as entregas até que a situação seja resolvida.

Segundo a fabricante, “a razão do conflito é puramente financeira”. Como resultado da disputa, a Airbus cancelou um pedido de cinquenta A321neos que o Qatar começaria a receber a partir de 2023.

Agora, conforme noticiado pelo nosso parceiro Aviacionline, Walsh mostrou sua opinião contrária à fabricante: “Eu odiaria pensar que um dos fornecedores está aproveitando sua atual força de mercado para explorar sua posição, e isso é algo que estamos observando de perto”, acrescentou.

A decisão da Airbus surpreendeu a indústria, já que é raro os fabricantes cancelarem pedidos unilateralmente. O único caso em que isso costuma ser visto é quando as companhias aéreas relatam dificuldades financeiras para pagar pelas aeronaves, algo que não acontece com a Qatar, uma das mais sólidas do mundo.

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Juliano Gianotto
Ativo no Plane Spotting e aficionado pelo mundo aeronáutico, com ênfase em aviação militar, atualmente trabalha no ramo de fotografia profissional.

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