Investigação da queda do Boeing 787 na Índia examina caso de combustível contaminado ocorrido em 2020

Cauda de avião 787 em prédio após acidente na Índia

Os investigadores que analisam o acidente aéreo com o Boeing 787 de matrícula VT-ANB, do voo AI-171 da Air India, ocorrido em 12 de junho, entre Ahmedabad e Londres Gatwick, estão examinando cuidadosamente uma ocorrência de fevereiro de 2020 em Gatwick, envolvendo um Airbus A321.

Naquela ocasião, ambos os motores apresentaram falhas imediatamente após a decolagem. Isso levou a um chamado de Mayday antes de a aeronave retornar a Gatwick 11 minutos depois.

Na investigação de 2020, o Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido (AAIB), que também está em Ahmedabad para investigar o acidente de 12 de junho, concluiu que o motivo da falha dos motores foi a contaminação do sistema de combustível, embora os engenheiros não tivessem encontrado falhas antes de autorizarem o voo naquela noite.

Oficiais cientes da investigação em andamento sobre o acidente em Ahmedabad afirmaram que estão realizando uma análise detalhada dos registros técnicos do AI-171 nas 24 horas anteriores ao acidente, já que ficou “claro a partir da observação visual e dos destroços” que o voo sofreu uma falha de potência.

Em entrevista ao The Indian Express na quinta-feira, 19, um oficial disse que as agências de investigação, com base em observações primárias das evidências visuais disponíveis, depoimentos dos controladores do Controle de Tráfego Aéreo (ATC) de Ahmedabad, engenheiros de manutenção que liberaram o voo e uma inspeção inicial dos destroços, estimaram que a aeronave sofreu falha no sistema elétrico principal dentro de segundos após a decolagem.

As evidências materiais, que incluem os destroços e os vídeos da decolagem, bem como do acidente, indicam uma falha de energia definitiva no voo. A causa será conhecida apenas quando os dados da caixa-preta forem recuperados, mas podemos estimar que, como o voo estava em decolagem e seu nariz estava inclinado para cima para a sustentação, o acionamento da Turbina de Ar Ram (RAT) não pôde ajudar o voo a fazer um retorno seguro, já que ele ainda não havia atingido a altitude mínima de 3.600 pés para uma trajetória de voo segura,” afirmou o oficial.

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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