
Uma aeronave executiva alemã foi vista neste domingo (26) dando várias voltas no interior de Goiás e sobrevoando locais próximos à extração de minerais raros, as conhecidas terras raras.
De matrícula D-ADLR, o jatinho é um Gulfstream G550 operado pela DLR, o Centro Aeroespacial Alemão, responsável por fazer uma série de pesquisas relacionadas à atmosfera.
A aeronave conta com diversas sondas presas à sua fuselagem, como pode ser visto nas fotos que ilustram esta matéria, e atende pelo apelido de HALO, uma abreviação de High Altitude and Long Range Research Aircraft, ou seja, aeronave de pesquisa para grandes altitudes e alcances de voo.
Ele mede dezenas de parâmetros, incluindo aerossóis, compostos orgânicos voláteis, óxidos de enxofre e nitrogênio, monóxido de carbono, metano, ozônio, radicais livres e água. Para isso, o G550 foi modificado com mais de 20 sondas para sistemas de medição óptica. Abaixo da fuselagem, há uma cápsula para instrumentos de medição, que se parece com um bócio.
Este mesmo avião esteve, em 2022, na Floresta Amazônica, fazendo medições, e agora voltou ao Brasil, só que em outra região: o Centro-Oeste. Neste domingo (26), o jatinho decolou de Fortaleza e voou até o norte do estado de Goiás, sobrevoando a região do Lago de Serra da Mesa, que é o maior lago do Brasil em volume de água e o quinto em área alagada, onde ficou a 4 mil pés (1.200 m) de altitude.
Nesta área está localizada a Mineração Serra Verde, a única fora da Ásia a explorar de maneira comercial as chamadas “terras raras”, que são o conjunto de 17 elementos químicos encontrados na natureza, mas de difícil separação de outros elementos onde se encontram in natura.
Logo após, a aeronave seguiu até a Fazenda Conforto, mais ao oeste do estado, mas ainda na região norte de Goiás. O local é um grande centro de agropecuária, que se apresenta como a “fazenda mais sustentável do Brasil”, realizando tanto o plantio de culturas quanto o confinamento de gado.
Próximo da fazenda, foram realizadas em torno de 10 voltas em várias altitudes, até que o avião seguiu para Cuiabá, onde pousou no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, cumprindo o voo de sete horas de duração.
Tanto a extração mineral quanto a pecuária são atividades que emitem vários gases, como metano, monóxido e dióxido de carbono, sulfeto de hidrogênio, entre outros. Esses gases, em sua maioria, são tóxicos e contribuem para o efeito estufa, uma das ocorrências estudadas pelo HALO, que observa o impacto das atividades humanas na atmosfera e como a natureza reage a elas.
A expectativa é que a aeronave realize mais voos nas próximas semanas, coletando dados. Nas visitas anteriores, o DLR operou em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Universidade de São Paulo (USP).
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