Jovem de 16 anos morre com reação alérgica a sanduíche servido por tripulação de voo e família pede indenização

Imagem: DepositPhotos

A família de um adolescente norte-americano de 16 anos entrou com uma ação judicial contra a Qatar Airways e a empresa de suporte médico MedAire após a morte do jovem durante um voo internacional entre Doha, no Catar, e Nova York, nos Estados Unidos.

Os autores do processo alegam que a tragédia poderia ter sido evitada e apontam falhas tanto na informação fornecida pela tripulação quanto no funcionamento dos equipamentos médicos da aeronave.

O caso ocorreu em 21 de agosto de 2024, quando Jason Hu retornava aos Estados Unidos após uma viagem à China para visitar familiares. Acompanhado pelo pai, Eric Hu, e pela irmã, Erica Hu, o adolescente fez conexão em Doha antes de embarcar no voo QR-701 da Qatar Airways com destino ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy (JFK), em Nova York.

Segundo a ação apresentada no Tribunal Distrital do Leste da Pensilvânia, a emergência começou durante a distribuição do lanche de bordo, quando a aeronave sobrevoava o Oceano Atlântico.

Jason possuía alergias graves a amendoim, peixe e produtos lácteos. Antes de aceitar um sanduíche oferecido pela tripulação, ele perguntou a uma comissária de bordo se o alimento continha algum ingrediente que pudesse provocar uma reação alérgica. De acordo com o processo, a tripulante informou que o sanduíche era seguro para consumo.

Pouco depois de ingerir o alimento, o adolescente começou a apresentar dificuldades para respirar, um dos principais sintomas de uma reação anafilática. Inicialmente, utilizou um nebulizador na tentativa de controlar a crise, mas seu estado de saúde piorou rapidamente até que ele perdeu a consciência.

A tripulação iniciou imediatamente os procedimentos de emergência e administrou uma dose de epinefrina por meio de um dispositivo semelhante ao EpiPen, medicamento considerado o tratamento de primeira linha para reações alérgicas graves.

Segundo a família, porém, a medicação não conseguiu reverter o quadro. Em seguida, os comissários utilizaram um cilindro de oxigênio, mas o processo afirma que o equipamento apresentava falhas e não funcionava adequadamente.

Jason perdeu os sinais vitais ainda durante o voo e só foi oficialmente declarado morto após o pouso em Nova York. A família afirma que, além da perda do adolescente, enfrentou uma situação traumática ao permanecer durante o restante da viagem com o corpo dele acomodado no piso da aeronave, atrás dos assentos onde estavam sentados.

Na ação judicial, os familiares sustentam que a morte foi consequência direta da informação incorreta fornecida pela tripulação sobre a composição do alimento servido a bordo.

O processo também acusa a Qatar Airways de não garantir que os equipamentos médicos obrigatórios da aeronave estivessem em pleno funcionamento, incluindo o cilindro de oxigênio e o dispositivo de aplicação de epinefrina utilizado durante o atendimento.

Além da companhia aérea, a MedAire também foi incluída como ré. A empresa, sediada em Phoenix, presta consultoria médica remota para diversas companhias aéreas por meio de comunicação via satélite durante emergências em voo.

Segundo a família, a empresa não orientou adequadamente a tripulação quanto ao tratamento do passageiro nem recomendou medidas que poderiam ter aumentado as chances de sobrevivência, como um eventual desvio da aeronave para atendimento médico.

O processo foi apresentado com base no Artigo 17 da Convenção de Montreal, tratado internacional que estabelece a responsabilidade das companhias aéreas por mortes ou lesões ocorridas durante voos internacionais.

Embora a Convenção estabeleça um limite padrão de indenização equivalente a 128.821 Direitos Especiais de Saque (SDRs), valor atualmente próximo de US$ 176 mil, a família pede que esse teto seja ultrapassado. Os autores sustentam que houve negligência da companhia aérea e de seus representantes, circunstância que pode afastar a limitação prevista no tratado.

Até o momento, a Qatar Airways não apresentou resposta formal às alegações. O caso tramita no Tribunal Distrital do Leste da Pensilvânia sob o número 2:26-cv-04882.

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Com uma paixão pelo mundo aeronáutico, especialmente pela aviação militar, atua no ramo da fotografia profissional há 8 anos. Realizou diversos trabalhos para as Forças Armadas e na cobertura de eventos aéreos, contribuindo para a documentação e promoção desse campo.

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