
O projeto do Aeroporto Internacional do Norte Paulista, previsto para a Estância Turística de Olímpia, no interior de São Paulo, alcançou uma das principais etapas de sua implantação. Na terça-feira (27), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) emitiu a Licença Ambiental Prévia (LP) do empreendimento, que tem investimento estimado em R$ 400 milhões.
A autorização aprova a localização e a concepção do futuro aeroporto, reconhecendo sua viabilidade ambiental nesta fase do licenciamento. O documento tem validade até outubro de 2032 e foi publicado no Diário Oficial do município nesta quinta-feira (29).
Sob responsabilidade da Infraero, o aeroporto está planejado para uma área de aproximadamente 200 hectares. O projeto prevê uma pista de pouso e decolagem com 2.500 metros de comprimento por 45 metros de largura, além de terminal de passageiros, pátio de aeronaves, pistas de táxi, instalações operacionais e infraestrutura de apoio.
O empreendimento tem como objetivo ampliar a conectividade aérea de Olímpia e dos municípios do Norte e Noroeste Paulista, criando novas possibilidades para o transporte de passageiros, a atração de investimentos e a integração da região com outros mercados. O planejamento também contempla a expansão das operações para o transporte de cargas destinadas à América Latina, com a futura construção de um terminal específico, sem necessidade de interromper as atividades do aeroporto.
A emissão da Licença Prévia ocorre após outro avanço no processo de implantação. Em 2 de outubro de 2026, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) aprovou o Relatório de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico do empreendimento e manifestou-se favoravelmente à continuidade do licenciamento, desde que sejam observadas as medidas de preservação estabelecidas.
A Infraero já concluiu os estudos de viabilidade, desenvolveu o anteprojeto e estruturou o processo licitatório para a construção do aeroporto. Em janeiro de 2026, a Diretoria Executiva da empresa aprovou internamente a proposta de contratação integrada do empreendimento.
O investimento, estimado em R$ 400 milhões, deverá ser financiado conforme uma modelagem apresentada pela Infraero, que prevê a divisão dos recursos entre duas fontes: 50% de recursos próprios da empresa e 50% de verbas federais. A concretização desse modelo, no entanto, ainda depende de providências institucionais e orçamentárias.
Conhecida nacionalmente por seus parques aquáticos e complexos de lazer, Olímpia recebe cerca de 5 milhões de visitantes por ano e dispõe de mais de 34 mil leitos de hospedagem, consolidando-se como um dos principais destinos turísticos do país.
Apesar da dimensão de sua atividade turística, o município ainda depende de aeroportos de outras cidades para atender aos visitantes que chegam por via aérea. Com a implantação de uma estrutura própria, a expectativa é reduzir essa dependência e criar condições para o desenvolvimento de novas rotas, conforme a demanda e as futuras decisões das companhias aéreas.
Além do turismo, o aeroporto poderá beneficiar os setores de comércio, serviços, indústria, logística e negócios de toda a região.
Com a emissão da Licença Ambiental Prévia, o projeto avança para o cumprimento das exigências necessárias à obtenção da Licença Ambiental de Instalação (LI), documento indispensável para autorizar o início das obras.
A emissão da LP, portanto, não significa que a construção já esteja autorizada nem que a licitação tenha sido publicada. No entanto, permite avançar na preparação do processo de contratação, cuja publicação depende da destinação dos recursos financeiros necessários ao empreendimento.
Com os estudos concluídos, o anteprojeto desenvolvido e o processo licitatório estruturado, as próximas etapas dependem de definições do Governo Federal sobre a execução e o financiamento das obras. Os procedimentos de contratação são de responsabilidade da União, mas continuam sendo acompanhados pela Prefeitura de Olímpia.
A proposta de dotar Olímpia de infraestrutura aeroportuária começou a ganhar forma em 2015, com as primeiras iniciativas municipais para desapropriação da área e contratação de estudos técnicos.
A partir de 2019, o projeto passou a ter uma concepção regional, com articulações entre o município, o Governo do Estado e a União. Em 2021, foi formalizada a delegação federal para implantação e operação do aeroporto. Nos anos seguintes, avançaram a estruturação da área, o planejamento técnico e a transferência da responsabilidade pela implantação para a Infraero, processo consolidado em 2024.
Desde 2025, a Prefeitura de Olímpia intensificou as articulações com o Governo Federal e os órgãos responsáveis para viabilizar as etapas de preparação do empreendimento. Com a licença ambiental emitida, o projeto supera mais uma etapa do processo e se aproxima de uma nova fase de implantação.
Outro fator que poderá facilitar a execução do empreendimento é a publicação do novo Plano Diretor de Olímpia, que já contempla a localização prevista para o aeroporto e estabelece regras para a ocupação das áreas vizinhas.
“A licença ambiental prévia é uma conquista importante para Olímpia e para todo o Norte e Noroeste Paulista. Estamos falando de um projeto estratégico, que vem sendo construído há anos e que tem potencial para transformar a nossa região e abrir novas oportunidades de desenvolvimento econômico, geração de empregos e atração de investimentos. Comemoramos cada passo desse processo e seguimos trabalhando para avançar nas etapas necessárias, em diálogo com a Infraero e os órgãos responsáveis. Nosso compromisso é continuar acompanhando e articulando para que esse projeto avance e possa trazer benefícios concretos para a população e para toda a região”, destaca o prefeito Geninho Zuliani.
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