
Uma família de passageiros britânica acusou a companhia aérea British Airways de discriminação após seu filho de 13 anos, diagnosticado com síndrome de Tourette, ser impedido de embarcar em um voo que partiria do Aeroporto de Gatwick, em Londres, com destino à Espanha.
Segundo relatos da família Entwistle, o adolescente Mason foi retirado da fila de embarque pouco antes de entrar na aeronave depois de pronunciar a palavra “bomb” (“bomba”) na área do portão de embarque. O episódio ocorreu durante uma viagem de férias que a família aguardava com expectativa.
A síndrome de Tourette é uma condição neurológica caracterizada por movimentos e sons involuntários, conhecidos como tiques, que podem variar em frequência e intensidade ao longo do tempo.
De acordo com os pais do garoto, a companhia aérea havia sido informada previamente sobre a condição médica de Mason. A família afirma que comunicou a situação antes da viagem e que a empresa chegou a organizar assistência para acompanhá-los durante os procedimentos no aeroporto.
Mesmo assim, os pais ficaram surpresos quando funcionários da British Airways informaram que Mason não poderia embarcar por ter feito uma suposta ameaça.
O pai do adolescente, Martyn Entwistle, gravou uma discussão com uma funcionária da companhia aérea na qual questiona a decisão e acusa a empresa de violar a Lei da Igualdade de 2010 (Equality Act 2010), legislação britânica destinada a proteger pessoas com deficiência contra discriminação.
Pela legislação, empresas como a British Airways devem avaliar a possibilidade de oferecer adaptações razoáveis para evitar tratamento discriminatório relacionado à deficiência de um passageiro. No entanto, a norma também permite a recusa de transporte caso a empresa considere que o passageiro representa um risco real à segurança.
No caso de Mason, a análise não envolvia apenas a verificação de que ele não representava uma ameaça efetiva, mas também os possíveis impactos que seus comentários poderiam causar nos demais passageiros e eventuais riscos operacionais durante o voo.
Em entrevista ao jornal britânico The Sun, Martyn afirmou acreditar que seu filho foi alvo de discriminação.
Segundo a família, Mason gritou a palavra “bomba” em diversas ocasiões durante sua passagem pelo aeroporto, inclusive durante os procedimentos de inspeção de segurança. Apesar disso, ele foi autorizado a continuar o trajeto normalmente e chegou a acessar a ponte de embarque da aeronave.
Foi somente nesse momento que uma gerente de serviço da British Airways retirou a família da fila e comunicou que o adolescente não poderia viajar. A funcionária estava acompanhada por agentes das forças de segurança, indicando que a companhia monitorava a situação havia algum tempo.
De acordo com o relato da família, a representante da empresa afirmou que a decisão estava baseada exclusivamente em razões de segurança e proteção operacional. Ela também informou que havia consultado previamente uma equipe central especializada em acessibilidade antes de determinar a recusa de embarque.
Enquanto a filha mais velha do casal, de 16 anos, conseguiu embarcar e viajar para a Espanha acompanhada por amigos da família, os demais parentes precisaram permanecer durante a noite no Aeroporto de Gatwick e adquirir novas passagens em outra companhia aérea.
No dia seguinte, a família conseguiu viajar sem problemas a bordo da companhia espanhola de baixo custo Vueling, que pertence ao mesmo grupo controlador da British Airways.
Em nota, um porta-voz da British Airways reconheceu que a situação foi “angustiante” para os envolvidos, mas afirmou que uma série de fatores contribuiu para a decisão final de negar o embarque de Mason.
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