
Em maio de 1949, o imã do Iêmen aceitou permitir que 45 mil dos aproximadamente 46 mil judeus que viviam no país deixassem suas terras. A partir daí, uma das maiores e mais complexas operações de imigração da história do Estado de Israel teve início: a “Operação Tapete Mágico”.
Por ela, cerca de 380 voos transportaram principalmente crianças iemenitas de Aden, capital do Iêmen, até Israel, após jornadas perigosas que duravam semanas.
A operação foi mantida em segredo e só foi divulgada para a mídia meses após sua conclusão. Aviões britânicos e americanos fizeram o transporte aéreo dos judeus que chegavam a Aden vindos de diversas cidades e vilarejos do Iêmen.

Durante o ano de 1949, Israel recebeu uma onda massiva de imigrantes, chegando a 250 mil judeus só naquele ano, que foram inicialmente alojados em acampamentos militares e tendas, para depois serem transferidos para os ma’abarot, os campos de trânsito.
A jovem nação quase entrou em colapso diante do desafio financeiro e social, já que absorver cada imigrante custava milhares de dólares. Contudo, o país estava determinado a fazer tudo o que fosse necessário para acolher esses imigrantes, visto que acreditava que essa missão era a razão fundamental de sua existência.
A Operação Tapete Mágico, também conhecida como “Operação Kanfei Nesharim” (“Nas Asas de Águias”), decorreu entre junho de 1949 e 24 de setembro de 1950, data em que foi finalizada com dois últimos voos levando 177 judeus iemenitas ao Aeroporto de Lod, em Israel. O nome da operação é inspirado na passagem do Livro do Êxodo: “…e eu vos transportarei nas asas das águias e vos trarei a mim…”.

O plano inicial previa trazer gradualmente cerca de 20 mil pessoas, mas os rumores se espalharam rapidamente, acelerando o processo. Os judeus iemenitas viviam em centenas de vilarejos e cidades, e muitos caminharam até três semanas até chegarem a Aden, enfrentando jornadas árduas e perigosas.
Os ataques violentos a judeus em Aden, após o Plano de Partilha da ONU de 1947, resultaram na morte de pelo menos 82 pessoas e na destruição de várias casas.
Ao chegarem a Israel, os imigrantes foram inicialmente alojados em acampamentos de tendas e, posteriormente, transferidos para vilarejos agrícolas distribuídos pelo país.
Embora milhares tenham permanecido no Iêmen após a operação, a maior parte deixou o país nos anos seguintes. Hoje, a maioria dos judeus iemenitas vive em Israel, restando apenas poucas pessoas no Iêmen, conforme relatos atuais.






