‘Não sei se seremos capazes de trabalhar com a Airbus de novo’, diz CEO da Qatar

Avião Airbus A350-1000 Qatar Airways
Imagem: Juke Schweizer / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia

A relação estremecida entre a Qatar Airways e a Airbus, em decorrência das deficiências detectadas na pintura do A350, continua a se inclinar para um ponto que, embora seja arriscado defini-lo como “sem volta”, certamente deixará cicatrizes por muito tempo tempo.

Em uma entrevista com o South China Morning Post, de Hong Kong, publicada na terça-feira (14), o CEO da Qatar Airways, Akbar Al Baker, disse que espera aterrar mais aeronaves do modelo, enquanto acusa a Airbus de ter “destruído” sua relação comercial com a companhia aérea.

“Sempre podemos deixar a água correr por baixo da ponte e seguir em frente. Com o Airbus, os danos são muito graves. Não sei como podemos trabalhar com eles novamente”, disse Al Baker sem rodeios.

A nova declaração do gestor árabe vem após a Airbus anunciar, na semana passada, que busca uma assessoria jurídica externa para traçar uma estratégia de solução da disputa com a Qatar Airways, visto que “tentativas de solução pacífica” não tiveram sucesso, alegando que os problemas foram exaustivamente avaliados tanto internamente e pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), concluindo que os problemas não afetam a aeronavegabilidade do A350.

A Qatar Airways, no entanto, continua inflexível de que a degradação da tinta coloca a estrutura subjacente em risco ao ser afetada por fatores mecânicos ou ambientais.

A companhia aérea aterrou cerca de vinte de seus 53 A350 (34 da variante -900 e 19 da variante -1000), enquanto suspendeu as entregas de novas aeronaves. O pedido total chega a 76. Sobre isso, Al Baker disse ao South China Morning Post que espera que “essa condição não se deteriore mais nas outras aeronaves que já estão voando, algumas das quais já estão mostrando sinais de deterioração”.

Para preencher a escassez de seus A350 à medida que a demanda global se recupera, a Qatar Airways recorreria ao leasing temporário de outras aeronaves. Pelo menos quatro Boeing 777 viriam da Cathay Pacific, companhia aérea da qual o Qatar possui 9,99% das ações.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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