Ninguém diria, mas a Boeing pode ressuscitar o A380 na Lufthansa

Foto: Carlos R (cedida)

A chamada desta publicação pode até soar estranha, mas reflete uma realidade pela qual algumas das grandes empresas aéreas do mundo estão passando neste momento. O novo atraso no projeto do Boeing 777X, que agora tem previsão de entrar em serviço apenas em 2025 (cinco anos após a data original) está fazendo as empresas aéreas reverem os planos para o superjumbo A380, da rival Airbus.

Na semana passada, a Emirates já havia levantado essa questão, indicando que reformaria o interior de mais superjumbos do que o inicialmente previsto, já que eles ficariam por mais tempo na empresa do que era esperado, por conta do atraso no 777X. A Emirates é a maior cliente do novo modelo da Boeing, com 115 encomendados.

Agora, no entanto, outra empresa indicou um caminho parecido a seguir: a alemã Lufthansa. Até agora, o CEO da empresa, Carsten Spohr, não tinha mais dúvidas sobre a aposentadoria definitiva do A380 em sua empresa, mas a “novidade” da Boeing trouxe novas variáveis para a mesa, de tal modo que o executivo parece não ter mais a mesma certeza de antes.

A Lufthansa possui uma encomenda de 20 exemplares do Boeing 777-9, mas seu atraso fará a empresa alemã a ter que buscar alternativas até que ele chegue. Em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (5), o executivo já disse que sua companhia está conversando com a Boeing, com a especial preocupação de como fará para transportar todos os seus passageiros nos verões de 2024 e 2025.

Por enquanto, segundo reporta o aeroTELEGRAPH, as aeronaves programadas como “tampão” são os quadrimotores Airbus A340-300 e A340-600. Mas ele foi questionado sobre o A380 e foi aí que a imprensa percebeu que o executivo já não tinha mais a mesma certeza de antes sobre o destino da aeronave.

“Palavra-chave A380: nossa posição não mudou”, disse o CEO. Mas então ele acrescentou algo que não soou tão definitivo quanto antes. “Vou dizer com muita honestidade: se a demanda fosse tão forte que fôssemos forçados a usar a opção do A380 novamente, eu seria a pessoa mais feliz, diz Spohr. Da perspectiva de hoje, no entanto, isso ainda não é necessário”.

Ou seja, há um “se” na frase do CEO que, se converter-se numa realidade, poderia resultar na reativação de algum A380. Por ora, ninguém sabe.

A Lufthansa tem 8 Airbus A380, todos estacionados. Outros seis foram revendidos para a Airbus.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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