‘Nosso turboélice será melhor que o ATR’, diz executivo da Embraer

A Embraer, como era de se esperar, confia fortemente em seu projeto de turboélice e não teme a concorrência. A bem da verdade, essa premissa é básica para quem deseja o êxito com um novo produto. Durante uma entrevista ao site Aviacionline, durante o Dubai Airshow 2021, Arjan Meijer, CEO, Embraer Commercial, falou mais um pouco desse novo projeto.

Indagado sobre como faria para concorrer com o consagrado ATR, o executivo foi enfático.

“Temos um histórico comprovado de construção de aeronaves de acordo com as especificações, dentro do prazo e do orçamento. E acho que estamos dizendo ao mercado o que podemos fazer no segmento de turboélice: podemos ser melhores em termos de economia, podemos ser melhores em termos de consumo de combustível, podemos ser melhores com ruído e podemos ser melhores com a experiência do passageiro. Assim, em toda a gama, seremos capazes de oferecer um produto com grande apelo”.

“Com o nosso turboélice, teremos um para 70 e outro para 90 lugares. O de 90 lugares oferece mais 20 lugares (do que o ATR) e uma redução significativa de combustível. O avião de 70 lugares será melhor do que o ATR 72. Nós vamos ficar mais baixos (em consumo) do que ele. Portanto, chegaremos com menores custos operacionais e uma melhor cabine a bordo”.

Traremos para o mercado algo inédito. Estamos muito confiantes de que a aeronave terá um grande espaço no futuro no segmento (regional). Além disso, ela será lançada com total compatibilidade com o SAF. A redução da pegada ambiental será grande se as companhias aéreas voarem a aeronave com SAF, e queremos usar a plataforma no futuro também para motores de tecnologia mais recente, para torná-la ainda mais sustentável”.

Questionado sobre a ida a mercado, Meijer disse.

“Vamos olhar nossa base atual e procurar por novos clientes. A proposta do turboélice que temos em mente é o interior do E2 com um perfil de ruído semelhante ao de um jato, acreditamos que temos uma aeronave que realmente oferece às companhias aéreas o que há de mais moderno, de última geração e um ativo completamente diferente do que é hoje o turboélice”.

Ele também acredita que há potencial no mercado americano para o turboélice de 70 assentos, adaptado para 50 lugares.

“Você precisa entender é que, se estamos falando de aviões de 50 lugares, estamos falando de 50 lugares em um domínio americano, onde você tem primeira classe, econômica premium e classe econômica. Nesse caso, você pega o mesmo avião de 70 lugares, mas coloca 50 em um arranjo de três classes muito confortável. E isso torna o avião de 50 lugares perfeitamente capaz de competir em um modelo de companhia aérea de rede americana”.

A cada nova informação, a expectativa se eleva, já que a fabricante brasileira tem prometido algo realmente novo. A ver o que os próximos capítulos revelam.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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