O 1º avião A321XLR da história dá um grande passo para se tornar realidade

Imagem: Airbus

A primeira aeronave de teste de voo da história do novo modelo A321XLR da Airbus, de numeração MSN11000, deu um grande passo nesta semana para se tornar realidade. Esta é a primeira das três aeronaves de desenvolvimento planejadas que realizarão o programa de testes de voo e Certificação de Tipo, começando em 2022 para preparar o caminho para a produção em série e entrada em serviço em 2023.

A conclusão estrutural do MSN11000 na Linha de Montagem Final (FAL) em Hamburgo, na Alemanha, ocorre na sequência da recente montagem e equipagem dos Conjuntos de Componentes Principais (MCAs) e subsequente entrega e introdução na FAL, realizada em novembro, dentro do cronograma previsto.

Esses MCAs incluíam notavelmente (mas não estavam limitados a): nariz e fuselagem dianteira, que chegaram de Saint Nazaire, na França; as seções central e traseira da fuselagem, montadas em Hamburgo; as asas, feitas em Broughton, Reino Unido; os trens de pouso fornecidos pela francesa Safran; e as empenagens vertical e horizontal, respectivamente feitas em Stade, Alemanha, e Getafe, Espanha.

Enquanto outras FAL nas demais localidades da Airbus produzirão os A321XLR para atender à grande carteira de pedidos de clientes, Hamburgo foi escolhida para ‘pilotar’ esta nova variante na produção em série, começando com as três aeronaves de teste de voo, que estão em diferentes estágios de conclusão.

Michael Menking, Chefe do Programa da Família A320, explica que para a Família A321 todas as versões foram iniciadas em Hamburgo, mas a intenção é construir essas aeronaves também nas outras plantas.

“No momento, estamos planejando também a entrega do A321XLR de outras FALs de produção de jatos de corredor único. Por isso, é importante que todas as equipes aprendam com a experiência de Hamburgo para que possamos levar esse conhecimento para as demais instalações. Isso também é o que estamos fazendo com a cabine Airspace da Família A320, que começamos em Hamburgo”, diz Michael.

Das quatro linhas de montagem da Família A320 em Hamburgo, a que está processando o primeiro A321XLR é chamada de “FAL Line 2”, que fica dentro do prédio “Hangar-9”. As duas aeronaves de desenvolvimento A321XLR subsequentes – MSN11058 e MSN11080 – seguirão no devido tempo da mesma linha de montagem.

Juntando tudo na FAL do Hangar-9

Assim que todos os MCAs para a aeronave A321XLR inicial alcançaram a FAL, foram reunidas em uma série de “Estações” para finalmente criar uma aeronave totalmente reconhecível. A viagem por essas estações durou aproximadamente quatro semanas e compreendeu o seguinte:

Nas Estações 42/43, as seções traseira e dianteira da fuselagem, ainda abertas e separadas, ofereciam a acessibilidade para receber seus monumentos totalmente equipados (cozinhas, lavatórios).

Imagem: Airbus

A “junção” subsequente dessas seções da fuselagem e a instalação final dos monumentos ocorreram na Estação 41. Nela, mais de 3.000 rebites se juntaram às seções dianteira e traseira da fuselagem. É importante ressaltar que essas seções da fuselagem continham o novo detalhe vital do A321XLR: seu tanque central traseiro especial (RCT) produzido pela Premium Aerotec.

O RCT armazena os 12.900 litros extras de combustível necessários para a capacidade de 4.700 milhas náuticas (8.700 km) de longo alcance do modelo. A fuselagem inferior do XLR também contém um tanque de água residual maior para suportar os voos extralongos. Além disso, o mobiliário interno (painéis do piso, sistema de carregamento de carga e forros da cabine) e os sistemas elétricos da cabine também foram instalados na Estação 41.

Com a etapa acima concluída, as equipes da FAL levantaram cuidadosamente toda a seção da fuselagem por ponte rolante e, em seguida, baixaram em um gabarito na próxima estação: Estação 40.

Imagem: Airbus

Esta é a etapa mais visualmente impressionante, onde as asas e conjuntos de trem de pouso são deslocados até sua nova fuselagem com precisão submilimétrica.

Em seguida, cerca de 2.400 rebites foram usados ​​para garantir uma conexão robusta de ambas as asas à fuselagem. Aqui a aeronave também recebeu seus suportes de fixação de motor feitos em Toulouse, França. Outro marco nesta estação foi o “power-on” elétrico funcional, a primeira ativação funcional dos sistemas elétricos. A partir daí a aeronave não precisou mais de guindaste, pois poderia ser puxada sobre suas próprias rodas até a próxima estação.

Imagem: Airbus

A estação 35 promoveu a instalação dos estabilizadores horizontal e vertical, do cone da cauda, ​​flaps internos, portas do trem de pouso principal, radome, radar meteorológico, dutos de ar, sistema de ar condicionado, sistema de água, sistema de combustível (que é modificado para o RCT no modelo), carenagem da barriga, a APU e todas as portas de passageiros e de carga.

Imagem: Airbus

Nesta estação também foi realizada a “energização” do sistema hidráulico, bem como a instalação de forros de cabine, canal de atendimento ao passageiro e painéis do compartimento de carga. Por fim, os tanques de combustível foram lacrados na Estação 35.

Os testes e a instalação da cabine ocorreram na Estação 25. Isso compreendia: teste de pressurização da fuselagem; aparelhamento final do estabilizador horizontal; mobiliário interior (incluindo luzes de emergência, arrumação, etc.); testes de sistemas de cabine (iluminação, iluminação de emergência, sistemas de áudio, vídeo, etc.); e testes de sistemas (aviônica, comunicação e navegação, tanques de combustível).

A última fase da FAL, ainda não executada, será na Estação 23 para os testes finais e acabamento interno. Isso inclui a instalação de alguns assentos para os engenheiros de teste de voo, o teste do trem de pouso principal e o teste geral da cabine.

Depois de passar por todas essas estações, o primeiro A321XLR terá se transformado de uma coleção de peças separadas em uma aeronave real, e a saída do Hangar-9 ocorrerá já sobre seu trem de pouso recém-instalado.

Imagem: Airbus

Esta aeronave de teste tem uma cabine parcial instalada para deixar espaço para todo o equipamento de teste de voo necessário. O que também é específico para esta primeira aeronave A321XLR é que há muito trabalho de documentação a ser feito, principalmente para a instalação de equipamentos de teste de voo, que é muito diferente do processo dos aviões de série. Portanto, isso requer um foco especial de todas as equipes no fechamento da documentação e no tratamento de quaisquer incoerências.

Próximos passos

A partir do fim da montagem, o MSN11000 entrará em um grupo de trabalho para instalar seu sofisticado conjunto de instrumentação de teste de voo (FTI), seguido pela instalação de seus motores CFM LEAP.

Os motores serão então testados pela primeira vez, assim como o mecanismo de retração do trem de pouso e as carenagens de suas portas, seguido por uma inspeção de qualidade geral da aeronave.

A próxima etapa de produção – a aplicação do esquema de pintura externa da aeronave – é a ‘cereja do bolo’, pouco antes de a aeronave ser entregue às equipes de teste de voo.

Ela passará por uma série de testes de solo em todos os sistemas, controles de voo, motores e APU. Depois de tudo correr bem, as equipes vão realizar as corridas de taxiamento e, claro, o primeiro voo do A321XLR na história, que ocorrerá no próximo ano.

Informações da Airbus

Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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