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Os exóticos aviões ingleses que passaram no Brasil indo para Falklands

A passagem pelo Brasil de um avião militar inglês a caminho das Ilhas Falkland (ou Malvinas, para os argentinos) chamou a atenção na última sexta-feira (14), mas este não é o primeiro deles.

O Vickers VC-10 © Oleg V. Belyakov – AirTeamImages

O arquipélago na costa argentina nunca foi de fato ocupado pelo país “hermano”, que decidiu contestá-lo em 1982, dando início à chamada Guerra das Malvinas, na qual o Reino Unido saiu vencedor.

Durante o período de guerra, o Brasil se manteve “neutro”, sem dar apoio declarado à nenhum dos lados, enquanto alugava aviões Embraer Bandeirante para o vizinho e ao mesmo tempo reteve um bombardeiro Avro Vulcan, após este fazer um pouso de emergência no Rio de Janeiro, liberando-o para os britânicos após o fim da guerra.

Quando a batalha chegou ao fim, o Reino Unido decidiu manter uma posição defensiva permanente na ilha e, para tal, precisava de mandar recursos para as Falklands periodicamente. Dada a distância do seu território com as ilhas sul-americanas, o Brasil acabou entrando novamente no jogo diplomático.

Fotos do jornal Zero Hora dão conta de que, já em 1983, os aviões britânicos faziam parada no Brasil quando necessário,em seu caminho às ilhas. Desde então, os aviões da Royal Air Force, a força aérea britânica, têm passado por terras tupiniquins com alguma frequência e aqui reuniremos uma lista de algumas aeronaves que visitaram nosso país em seu rumo às Falkland.

Lockheed C-130 Hércules (C-5)

O bastante conhecido e venerável Hércules foi provavelmente o avião da RAF que mais passou pelo Brasil. Sendo designado C-5 no Reino Unido, ele tem servido como um cargueiro para levar suprimentos até o arquipélago, e quase sempre que vai para as ilhas passa pelo Brasil.

Existem registros dele em 1984, 2004, 2007, 2010, 2013, 2014 e 2015, sendo a maioria na capital gaúcha. Por vezes, ele passava despercebido do público, que confundia ele com os Hércules operados pela Força Aérea Brasileira.

Lockheed L-1011 TriStar

Este clássico da aviação comercial, concorrente direto do DC-10, mas com muito menos vendas, teve como a RAF a sua principal operadora militar, que o adaptou para abastecimento em voo.

Ele foi visto poucas vezes no Brasil, sendo a última visita registrada no vídeo acima, de 2013, sendo que o avião foi retirado de serviço da RAF logo depois. De Guarulhos, o avião era capaz de seguir direto até as Ilhas.

Vickers VC-10

De design exótico, teve menor sucesso comercial que o TrisTar mas ficou querido na RAF, que também o adaptou para o uso de reabastecimento em voos.

O barulho único de seus quatro motores Rolls-Royce Conway, todos na parte traseira, em dois pares de casulos, chamava a atenção por onde passava. Foi aposentado um pouco antes do L-1011, mas deixou saudade.

Airbus A400M

Detendor de quatro unidades do maior e mais potente motor turboélice do mundo, este avião militar da Airbus tem substituído o Hércules nas missões para as Ilhas Falkland, tendo já passado mais Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Airbus A330 – Voyager

A versão militarizada de um dos aviões de maior sucesso da Airbus, o A330-200, é atualmente o avião da RAF que tem sido visto no Brasil.

Ironicamente ele não precisa fazer escala na América do Sul, já que tem alcance suficiente para fazer a rota de Brize Norton a Ilha de Ascenção e, depois, às Ilhas Flakland, mas às vezes a parada no meio pacíficio fica impossibilitada por motivos meteorológicos ou de logística, sendo então optado passar pelo Brasil.

Bônus: English Eletric Canberra

Este sem dúvidas é o mais antológico dos aviões britânicos que fizeram escala no Brasil. Visto numa rara foto aqui, este bombardeiro leva até três tripulantes e, ironicamente, esteve nos dois lados da Guerra das Malvinas.

Os argentinos o utilizaram ativamente na guerra, tendo perdido três aeronaves em combate, sendo duas derrubadas por caças Sea Harrier e outra por um destróier. Já os britânicos o deixava de prontidão mas eles não foram atores principais da guerra.

As passagens pelo Brasil foram bem raras, e a maioria das vezes em missão de reconhecimento, que seria feito nas Falklands. Hoje é uma peça de museu, mas com muita história para contar.

O Canberra argentino sobrevivente – Raul Hrubisko
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A
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